A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 25/05/2020

Sabe-se que o direito à igualdade é um dos princípios fundamentais do Estado Democrático brasileiro, garantido pelo artigo 5° da Constituição Federal de 1988. No entanto, a persistência do racismo na sociedade brasileira posterga diretamente o exercício desse bem por parte da população. Logo, tal fato se deve especialmente à negligência populacional e tem como principal consequência o aumento no número de afrodescendentes mortos.

Em primeiro plano, urge analisar a forma insipiente como o racismo é tratado na atualidade brasileira. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, há no país a chamada democracia racial, na qual negros e brancos convivem harmonicamente, cada um possuindo sua função, ou seja, ainda com inúmeras diferenças sociais, não há necessidade de mudanças. Nesse ínterim, quase cem anos após seus estudos, grande parte da população brasileira concorda com os pensamentos de Freyre, não lutando por mudanças sociais com fim à igualdade e mantendo o racismo como algo intrínseco à vida brasileira.

Ademais, cabe ressaltar os altos índices de mortes decorridas de intolerância racial. Nesse viés, segundo o informativo Desigualdade Sociais por Cor ou Raça no Brasil, pessoas negras possuem quase três vezes mais chances de sofrer homicídio que pessoas brancas. Dessa forma, nota-se urgente a reversão de tal situação, visto que pessoas inocentes estão tendo suas vidas arruinadas, em diferentes níveis, indo desde bullying na escola, até agressões físicas e o decorrente óbito.

Diante dos fatos supracitados, medidas são necessárias com fim de mitigar a persistência do racismo na sociedade brasileira. Portanto, é dever do Ministério da Educação implementar projetos educacionais nas escolas de todo país, que falem sobre o Movimento Negro e a luta por igualdade, juntamente com sua importância, por meio de palestras e rodas de conversa com a presença de estudiosos negros, com o intuito de que as crianças cresçam com essa ideia de igualdade e necessidade de mudar as relações sociais vigentes. Além disso, o Estado deve aprimorar a legislação no que diz respeito a crimes por causas raciais, expandindo as penalidades, para que assim - mesmo que pelo motivo errado - o número de negros assassinados caia. Destarte, o Brasil será coerente com o que redige em sua Constituição.