A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 03/06/2020
Em pleno século XXI, mesmo após mais de um século da abolição da escravidão, a população negra permanece, na maioria das vezes, marginalizada dentro da sociedade brasileira. Diante disso, o racismo, uma das consequências dessa marginalização, ainda é fortemente presente na rotina das pessoas, muitas vezes, em decorrência tanto do chamado racismo estrutural, bem como da falta de equidade no cotidiano dos brasileiros.
A priori, pode-se citar como uma das causas da persistência da discriminação dos negros no Brasil, a existência do chamado racismo estrutural, ou seja, o fato do país ser uma sociedade historicamente estruturada a privilegiar a raça branca em detrimento das demais etnias, sendo o negro, grande parte das vezes, colocado em uma situação de inferioridade, como era feito nas épocas arcaicas. Todo esse cenário contribui para a manutenção do preconceito racial nos tempos atuais, inclusive sob a forma de um racismo velado. É o que se pode notar, por exemplo, nos principais meios midiáticos existentes, onde, dos poucos personagens afrodescendentes que possuem no elenco, a maioria, ocupam papéis de criminosos, favelados, domésticos, entre outros. Não obstante, cabe ressaltar, nessa conjuntura, a indicação do filme “A Pantera Negra” para a categoria de melhor filme do Oscar de 2019, com uma enredo protagonizado por um super-herói negro, o que por muitos, foi considerado um grande avanço contra a discriminação racial no meio cinematográfico.
Outro ponto que merece destaque nessa temática é a diferença entre igualdade e equidade. Apesar dos dois conceitos estarem voltados para a ideia de equilíbrio, enquanto a igualdade é tratar todos de forma igual, a equidade significa que o diferente deve ser tratado como tal, a fim de obter os mesmos direitos dos seus desiguais. Nessa lógica, é facilmente visível a falta de equidade, muitas vezes representada por uma baixa diversidade e representatividade da população negra no cotidiano dos brasileiros, o que proporciona a persistência do racismo até os tempos atuais. Como exemplo, pode-se citar a recente pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE que concluiu que, apesar da maioria da população ser negra, apenas cerca de 18% dos parlamentares em atividade possuem tal etnia.
Portanto, a fim de minimizar a presença do racismo na sociedade brasileira deve-se desenvolver uma ação conjunta entre os Ministérios da Justiça e Ministério dos Direitos Humanos a fim de desenvolver um plano com uma efetiva punição dos crimes raciais praticados, bem como uma ressocialização e inclusão dos negros nas mais variadas áreas do cotidiano, como política, jurídica, econômica, cinematográfica, entre outras.