A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 05/06/2020

“Já viu eles chorar pela cor do orixá? E os camburão o que são? Negreiros a retraficar”. Pela leitura deste trecho da canção do intérprete Emicida, pode-se inferir a atual situação da população negra na sociedade brasileira. Não obstante os escravos negros terem sido libertos em 13 de maio de 1888, com a assinatura da Lei Áurea, nunca houve interesse por parte da elite branca em sua inclusão na sociedade. Dessa forma, sua reiterada marginalização fez com que os negros carregassem, até hoje, as marcas desse regime escravocrata em que eram completamente inferiorizados, o que reflete, por exemplo, nas altas taxas de homicídio desta parcela da população e no preconceito que sofrem na tentativa de ingressar no mercado de trabalho.

Em primeiro lugar, cabe observar que, segundo dados do IBGE divulgados em 2019, a população negra é a principal vítima de homicídio no Brasil, tendo 2,7 mais chances de ser assassinada do que a população branca. A recente história de João Pedro, jovem negro que foi morto dento de sua própria casa numa comunidade do Rio de Janeiro, apenas corrobora essa estatística. Assim sendo, é notório que o racismo é uma mazela social que tem efeitos diretos na saúde e segurança da população negra, devendo o seu combate ser prioridade nas pautas de políticas públicas.

Ademais, podemos visualizar o racismo fortemente inserido no mercado de trabalho. De acordo com dados do IBGE de 2018, a população negra e parda do país é a maioria dentre os trabalhadores desocupados ou subutilizados, sendo também a parcela da população mais atingida pela informalidade laboral, representando cerca de 47,3% de todos os trabalhadores informais. Outrossim, mesmo quando os negros são contratados, a diferença salarial entre negros e brancos chega a 45%, segundo pesquisa levantada pela PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) em 2019. Tal situação evidencia o racismo estrutural no Brasil, representado por formas coletivas e até mesmo inconscientes da população de desfavorecer negros e privilegiar os brancos.

Ante o exposto, conclui-se que o racismo persiste enraizado na sociedade brasileira até os dias de hoje, o que se reflete no preconceito, exclusão e marginalização desta parcela da sociedade. Para que esta situação seja superada, é preciso de uma política de Estado coordenada, ampla e que esteja presente em diferentes pastas, como o Ministério da Justiça, por meio de políticas de ressocialização da população carcerária, em sua maioria negra, e o Ministério da Educação, por meio de ações sistemáticas de conscientização da população em eventos e materiais didáticos. Afinal, não basta apenas que o princípio da igualdade entre todos os cidadãos brasileiros esteja positivado na Constituição Federal de 1988, é preciso que tal igualdade seja alcançada de forma efetiva.