A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 09/06/2020

Em um dos episódios da série norte-americana “Grey’s Anatomy”, Doutora Bailey e seu marido ensinam seu filho Willian, um jovem negro, a reagir a uma abordagem policial, de forma a garantir a segurança do adolescente neste tipo conduta, de viés notavelmente discriminatório. Apesar do caráter ficcional, a circunstância retratada na série aproxima-se da realidade: a cor – negra - da pele aumenta a opressão, evidenciando que o racismo ainda persiste na sociedade moderna, sendo imprescindível analisar sua origem e manifestações.

Em primeiro lugar, o preconceito racial tem origem histórica, e deixou uma herança escravista para o país. O sistema escravocrata adotado no Brasil no século XVI, beneficiou e enriqueceu por séculos a população branca, por meio da exploração da mão de obra africana. Apesar da lei áurea, promulgada em 1888, ser um grande marco na luta deste grupo, ela não foi efetivamente libertadora, visto que não foram desenvolvidos mecanismos para promover a ascensão social e econômica da população negra, dificultando que haja igualdade na entrega e gozo de seus direitos.

Dessa forma, uma das principais manifestações do racismo no país é o estrutural. Apesar de 56% da população brasileira declarar-se negra ou parda, há uma baixa presença dessas pessoas no mercado de trabalho, especialmente em cargos superiores. De acordo com o IBGE, menos de um terço dos cargos de chefia é ocupado por negros. É importante reforçar que essa desigualdade é oriunda de um contexto histórico. Em 1850, por exemplo, mesmo ano que foi promulgada a lei que proibia o tráfico negreiro, criou-se a lei das terras. Esta restringiu o acesso da população negra às terras, visto que a única forma de obter esse bem era pela compra – o que requer capital, ou seja, impossibilitava a aquisição e enriquecimento dos afrodescendentes. Esse, entre outros mecanismos, contribuíram para  construção da desigualdade racial e tem seus reflexos até os dias de hoje.

É urgente, portanto, combater o sistema de opressão racial. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação invista na formação superior de pessoas negras, por meio de incentivo e orientação vocacional àqueles que têm o risco de evasão escolar e fornecimento de bolsas de estudos, de forma a  promover a ascensão social e econômica dessa etnia. Ademais, o Ministério da Cultura aliado as editoras brasileiras, devem investir e divulgar a cultura negra, de maneira a valorizá-la e conscientizar toda população acerca de sua importância e riqueza, desconstruindo o “pré-conceito” existente. Só assim, a descriminação racial, como a enfrentada por Wilian, será combatidas.