A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 06/06/2020
Segundo a Constituição Federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à igualdade e à dignidade.Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que há persistência do racismo na sociedade brasileira.Nesse contexto, é importante analisar que parte da população tem suas garantias constitucionais violadas, isso sendo consequência da negligência governamental, somada à má formação escolar, o que dificulta a atenuação do problema.
A priori, observam-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, em garantir igualdade para todos grupos étnicos do Brasil.Nesse viés, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, os indivíduos de uma sociedade abrem mão de parte de suas liberdades e delegam funções ao Estado, a fim de atingir o equilíbrio social.Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não combate, suficientemente, casos de racismo nas diversas esferas sociais, onde algumas pessoas perdem oportunidades de trabalho em razão da cor de sua pele e não pela sua capacidade em exercer certa profissão.Logo, a escassez de medidas como a criação de cotas e incentivos fiscais para empresas que contratarem cidadãos cidadãos negros como parte de seus funcionários, colaboram para a persistência da discriminação contra essa população.
A posteriori, as instituições de ensino demonstram-se ineficientes em desempenhar algumas de suas funções e, especialmente, em estimular a empatia na aprendizagem do estudante.Nesse ínterim, o filósofo Theodor Adorno apontou, como possibilidade sociológica, uma pedagogia para autonomia, a fim de desenvolver uma escolaridade marcada por uma ética transcultural e inclusiva.Nessa conjuntura, o tecido educacional é ineficaz em fomentar, no aluno, um senso crítico capaz de respeitar os diferentes grupos étnicos brasileiros, como os indígenas e os africanos, de forma a reconhecer seus valores culturais como parte da sociedade brasileira.Portanto, uma parcela da população, devido à baixa escolarização, podem contribuir para o crescimento de ideologias racistas e de supremacia branca, o que acaba validando crimes contra essas pessoas e colabora para a persistência desses preconceitos.
Em conclusão, é dever do Estado, mediante o cumprimento de seus deveres previstos na Carta Magna, desenvolver medidas capazes de mitigar a problemática.Destarte, cabe ao Governo Federal, por meio do financiamento de empresas privadas, as quais irão ofertar, no mínimo, 20% de suas vagas de empregos para a população negra e 10% para a indígena.Desse modo, a persistência do racismo no Brasil será atenuada, já que os indivíduos que sofrem com a discriminação e a desigualdade social terão maior oportunidade de trabalho e, consequentemente, irão conseguir ingressar nas diversas esferas sociais.