A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 09/06/2020
No livro Quarto de Despejo, escrito por Carolina de Jesus , inúmeras cenas de discriminação são narradas, nas quais há enunciações de desprezo as características físicas da autora negra, como a sua cor, ao seu cabelo ou aos seus traços. Na realidade contemporânea da coletividade brasileira ainda persistem ações racistas como as da literatura. Isso porque o racismo é conjuntural no contexto brasílico e há pouca representatividade da negritude , tal panorama exige estratégias de reversão.
Em primeiro plano,é imperioso salientar como o mito da democracia racial atua na manutenção do racismo no Brasil.Nesse sentido,a falsa igualdade de raças vela ações e pensamentos preconceituosos construídos desde o Período Colonial.Sob essa óptica,Gilberto Freyre em sua obra Casa Grande e Senzala refere-se à “harmonização” do senhor de engenho com o escravo por meio da miscigenação, essa teoria reforça o conformismo com as desigualdades sociais e esconde a violência dessa relação.Sendo assim,a falta de reconhecimento da existência da segregação das pessoas impede o combate a ações discriminatórias ,já que as normalizam e silencia as vítimas delas.
Ademais,o fato de que os negros ,não raro,são descritos e interpretados sobre o ponto de vista branco colabora com a perpetuação de esteriótipos errôneos sobre essa parte da população.Uma vez que há poucos lugares de evidência e comunicação social ocupados por pessoas negras e,ainda mais,quando alguém os ocupa sofre pejorações como a Maju no Jornal Nacional,percebe-se o desrespeito com a representatividade desse grupo.Consoante a isso,o mestre Nick Couldry,escritor do livro “Porque a voz importa?",elucida que a pequena posição de fala provoca o esquecimento das pautas de grupos minoritários politicamente, como é o caso da negritude brasileira.Então, quando os afrodescendentes não são valorizados no debate público o preconceito persiste.
Depreende-se,portanto,como é imprescindível mitigar o racismo na sociedade brasileira.Para isso,cabe ao Governo Federal elaborar publicidades televisivas e virtuais que exponham a conjuntura racista do país,por meio de dados do IBGE sobre as desigualdades,nas quais seja estimulada a denúncia a crimes de cunho discriminatório e preconceituoso que,muitas vezes,não são reportados.Isso no intuito de desmistificar as relações de opressão negra e incitar o respeito à diversidade.Outrossim,é preciso que jornais,revistas,novelas,páginas virtuais e outros produtores de conteúdo incluam a história e a atual vivência dos afrodescendentes no Brasil,por meio da participação de pessoas e produções negras que outrora não recebiam o devido mérito.Dessa forma,pressupõe-se que menos indivíduos sofram ,como Carolina de Jesus,por causa de sua etnia.