A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 10/06/2020
Segundo o pensamento de Claude Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como eventos históricos e relações sociais. Entretanto, quando se observa a persistência do racismo na sociedade brasileira; a ultima no mundo a abolir a escravidão, dois aspectos importantes se destacam: a baixa incidência de negros no mercado de trabalho e a segregação da população afrodescendente nos espaços públicos.
Sob um primeiro viés, pode-se destacar a baixa incidência de negros no mercado de trabalho, cenário de um país excludente e preconceituoso. Desse modo, segundo dados do IBGE, a população afrodescendente expressa cerca de 55% do total de habitantes do país, além de 65% dos desempregados no Brasil. Dessa forma, é indubitável a persistência do racismo no mercado de trabalho, perspectiva que revela o cenário nefasto que segue intrinsecamente na sociedade brasileira.
Em segunda analise, cabe pontuar a segregação da população afrodescendente nos espaços públicos, problema que vem sendo cada vez mais documentado e exposto. Consoante a isso, parafraseando o escritor Darcy Ribeiro “O Brasil, último país do mundo a abolir a escravidão, tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna sua classe dominante enferma da desigualdade.”, citação que retrata com maestria como a sociedade vem isolando os negros. Sendo assim, deve-se sempre se opor contra qualquer espécie de opressão e engrandecer sempre esta luta por espaço, que é de suma importância.
Como resultado, se faz urge a necessidade de medidas que venham combater a persistência do racismo na sociedade brasileira. Por conseguinte, cabe ao Governo Federal juntamente com a SEPPIR - Secretaria de Politicas e Promoções da Igualdade Racial - a implementação de projetos de lei que determinem a obrigatoriedade na contratação de pelo menos 40% de funcionários afrodescendentes, além de aumento na fiscalização do correto seguimento do Estatuto da Igualdade Racial de 2010, a fim de que todos tenham sua raça respeitada e não seja de modo algum fonte de descriminação. Somente assim, a sociedade brasileira poderá caminhar para plena igualdade racial.