A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 11/06/2020
Segundo o artigo 5º, da Constituição Federal, de 1988, a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, em que o praticante leva pena de reclusão. Mesmo sendo um ato criminoso, a persistência do racismo na sociedade brasileira é evidente. Esse preconceito ocorre devido ao eurocentrismo e ocasiona a segregação entre as etnias.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que um fator importante para a persistência desse preconceito na sociedade brasileira é a visão de que os costumes europeus são superiores. Por isso, durante a colonização, os portugueses implantaram sua língua, seus costumes, catequizaram os indígenas e, com a escravidão, privaram os negros de exercerem sua cultura e religião, além de demonizá-las. Ainda que o eurocentrismo seja latente no país, ele não pode ser considerado como padrão, pois o Brasil é um país miscigenado, assim como afirmou o padre jesuíta Antônio Vieira: “O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na África”.
No final do século XIX, a Lei Áurea foi sancionada pela Princesa Isabel a qual aboliu a escravidão no Brasil. Mas ela não foi o suficiente para fazer com que os escravos libertados tivessem seus direitos garantidos. Muitos deles não conseguiram emprego e tiveram que cometer pequenos delitos e, posteriormente, foram marginalizados. Essa marginalidade perdura até hoje, já que segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS), os negros têm menos chances de conseguir emprego e recebem 31% a menos que os brancos. Percebe-se isso quando em uma cidade há a divisão entre periferia ou favelas e áreas nobres, sendo que a concentração de brancos é maior nas áreas nobres e a maior parte da população negra vive em áreas pobres.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC), como principal órgão para estruturar o processo educacional, inserir o estudo dos povos africanos, por meio de implementação de currículo escolar para a formação cidadã. Desse modo, a cultura e a religião de matriz africana farão parte do cotidiano brasileiro. assim, a população irá perceber que a miscigenação trouxe benefícios Brasil, pois, como constatou a filósofa Hannah Arendt, “A pluralidade é a lei da Terra”.