A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 16/06/2020
Friedrich Hegel buscou desenvolver, no século XIX, uma teoria que fosse capaz de explicar as causas sociais que provocariam as mudanças repentinas nas nações industriais. Segundo o filósofo, o homem e sua ideologia estão relacionados de maneira incisiva com o momento histórico em que ele vive e com o passado. Dessa forma, ao analisar o contexto racial brasileiro da atualidade, nota-se que seria impossível dissocia-lo dos acontecimentos históricos. Assim, a persistência do racismo no país ocorre não apenas pela presença de setores sociais que propagam o ódio a diversas raças, mas também pelo descaso de determinados órgãos estatais no que tange ao povo negro.
Antes de tudo, é válido mencionar algumas causas que provocam a proliferação de muitos ideais racistas na contemporaneidade brasileira. A esse respeito, é válido traçar um paralelo entre os pensamentos desses grupos com os propagados durante o Imperialismo com o intuito de justificar tal ato. Nesse contexto, foi difundido o errôneo argumento de que a ciência comprovaria uma suposta inferioridade da raça negra. Similarmente, na atualidade nacional, há também a utilização de argumentos pseudocientíficos para justificar as práticas racistas, os quais são propiciados devido à facilidade colocada pela internet no acesso a conteúdos retrógrados à democracia. Portanto, nota-se que a irrestrita liberdade virtual contribui para que sites de teor supremacista ganhem força e, dessa maneira, a prática intolerável da discriminação racial persista no Brasil.
Outrossim, é imperativo salientar que há ações estatais que contribuem para que essa situação se agrave. Acerca dessa premissa, uma pesquisa realizada pelo Estadão expõe que cerca de setenta e cinco por cento dos homicídios do país ocorrem em negros ou pardos, ao passo que, de acordo com o IBGE, apenas cinquenta e quatro por cento do povo brasileiro pertence a esses grupos. Além disso, sabe-se que muitas dessas mortes são provocadas por ações policiais desproporcionais nas comunidades. Nesse âmbito, a negligência de diversos setores estatais no que concerne à imediata solução do problema mostra que o Estado brasileiro garante a permanência da impunidade do racismo, bem como contribui para com o massacre da população negra no país.
Em suma, o combate à persistência do racismo no Brasil apresenta-se como uma tarefa de extrema importância. Cabe, então, ao Ministério da Justiça e da Segurança Pública, em parceria com o Legislativo, por intermédio da aprovação de um projeto de lei, deve garantir mecanismos de inteligência policial que possibilitem maior punição a grupos supremacistas brasileiros. Essas ferramentas devem ser entregues à Polícia Federal para que esse órgão possa fiscalizar ataques virtuais de cunho racista. Com isso, espera-se evitar a permanência do discurso racista neste momento histórico.