A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 16/06/2020
Na obra “A redenção de Cam”, de Modesto Brocos, é exposto três gerações de uma mesma família, ao qual com o tempo torna-se mais branca e estão gratificadas por isso. Ao se fazer analogia com a realidade atual brasileira, é evidente que a tentativa de branqueamento populacional corroborou para a exaltação do branco em detrimento do negro. Ora, uma problemática advinda do pensamento retrógrado e, por tabela, da postura midiática, demanda alternativas para inibir essa problemática.
Tal cenário é principiado a partir da concepção obsoleta ensinada no ambiente escolar. Na ótica de Nelson Mandela, “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”. O ex-presidente da África do Sul postula que o preconceito é resultado de doutrinas ao qual a aversão contra os afrodescendentes era uma pauta significativa. Desse modo, se o corpo social não oferece condição de ensino que não desqualifique outras etnias, não há oportunidade de o julgamento evoluir.
Outro promotor dessa polêmica aponta para o papel dos meios de comunicação em massa, sobretudo a mídia. De acordo com o IBGE, o Brasil é composto 54% de pessoas negras, porém, sua participação em filmes nacionais é de apenas 13,3%. Além do raso percentual de representatividade nas telas de cinema, o papel dos negros se restringe predominantemente a atuações preconceituosas, ao retratar aquele indivíduo como um criminoso. Logo, o discurso midiático reforça essa imagem da comunidade, contribuindo e persistindo neste pré-julgamento.
Impede, portanto, que a persistência do racismo deixe de ser realidade. Nesse sentido, cabe ao universo escolar, por meio de aulas e debates acerca da realidade de diferentes raças no Estado, orientar os alunos a buscarem informações que mostrem o cenário da população, com o fito de haver um vasto conhecimento acerca de diferentes culturas e suas lutas, para, dessa forma, minimizar o preconceito. Visando o mesmo objetivo, a imprensa deve oferecer oportunidades iguais de contratações e a mudança do esteriótipo negativo do negro, através de papéis de destaque para essa comunidade e a diversificações de suas situações do cotidiano. Assim, observa-se uma sociedade mais crítica e menos alienada, de forma que a realidade do quadro de Brocos seja apenas um retrato ultrapassado.