A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 16/06/2020
O artigo quinto da Constituição Federal prescreve o racismo como crime inafiançável e imprescritível. Entretanto, ele ainda permeia a sociedade brasileira. Isso se dá por meio de vias simbólicas, como a falta de representatividade de não brancos em diversos setores, e pela desigualdade socioeconômica ainda enfrentada por essa população.
Inicialmente, destaca-se a presença minoritária de pretos e pardos em posições de alta visibilidade, como nas novelas e no jornalismo. Tal aspecto de preconceito decorre, segundo o sociólogo Carlos Hasenbalg, da discriminação estética. Como resultado, o não branco não se vê representado, o que acarreta em baixa autoestima e o desmotiva a ascender socialmente, perpetuando assim as desigualdades.
Adicionalmente, é flagrante a diferença de renda entre brancos e afro-brasileiros. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os ganhos financeiros destes foram 74% menores daqueles. Essa disparidade é fruto da herança colonial brasileira, que continua excluindo os pretos do mercado de trabalho. Como exemplo, menciona-se a preferência por mão de obra imigrante no processo industrial do século XIX no Brasil. Assim, historicamente, esse grupo discriminado enfrenta barreiras invisíveis que o impede de obter melhores salários e condições de trabalho dignas.
Diante do exposto, percebe-se que o preconceito está enraizado no Brasil. Portanto, para superar esse atraso civilizatório, faz-se mister a atuação conjunta da sociedade civil e do Poder Público. No tangente à representatividade, com o objetivo de valorizar a cultura Afro-brasileira, compete aos veículos de comunicação dar espaço a profissionais pretos e pardos, escalando-os para cargos de alta visibilidade. Quanto a questão socioeconômica, ressalta-se a importância das políticas de cotas raciais em Universidades e concursos públicos. Todavia, também é preciso que o Estado, tendo em vista a aplicação do princípio de equidade, invista em práticas de distribuição de renda, de modo a proporcionar melhores condições para a busca de qualificação e de emprego. Assim, com essas medidas, espera-se que a mancha escravista seja suplantada e se conquiste efetivamente a cidadania e a inclusão de todos aqueles inferiorizados no passado.