A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 19/06/2020
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é caracterizado pela ausência de problemas. Contudo, nota-se, na conjuntura hodierna, o oposto do que é pregado pelo autor, porquanto a persistência do racismo contra os negros na atualidade brasileira apresenta barreias, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse quadro deletério é fruto da perpetuação dos valores coloniais e da falta de políticas públicas que estimulem a aceitação da diferença. Nesse sentido, faz-se necessária a discussão desses aspectos.
Convém destacar, a princípio, a manutenção do ideário escravagista, predominante nos séculos XVI a XIX, como promotora do problema. Segundo o historiador Boris Fausto, o período em que o Brasil foi colônia de Portugal é extremamente marcado pelo processo de subjugação dos indivíduos de pele escura. Isso, apesar de se tratar do passado, afeta diretamente a contemporaneidade. Dessa forma, as pessoas acreditam na ideia da superioridade branca e, imbuídas dessa opinião absurda e anticientífico, contribuem para a resiliência do preconceito. Portanto, é um despautério que seres humanos sejam avaliados pelo tom da sua epiderme e não pelo seu caráter.
Ademais, é crucial apontar a falta de ação do governo, no que concerne à criação de mecanismos de valorização da diversidade, como causadora da problemática. Para o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar do povo. Entretanto, ele falha nesse compromisso ao criar projetos que, invés de assegurar a isonomia, aumentam ainda mais as diferenças, como a Lei de Cotas, que favorece demasiadamente os negros e estimula a permanência do ódio contra eles. Sendo as-sim, é entristecedor pensar que o poder público age na contramão da justiça.
Logo, medidas exequíveis são necessárias para mitigar o empecilho. Dessarte, afim de acabar com a insistência do desrespeito contra os pretos, o Tribunal de Contas da União deve destinar capital que, por intermédio do Ministério da Educação, órgão responsável por garantir uma formação de qualidade aos brasileiros, será revertido na criação de uma campanha nacional de valorização e inclusão da pessoa negra, através de rodas de conversa e palestras que contem a história de importantes lideranças afrobrasileiras. Assim, todos serão tratados como iguais, sem distinção de raça, e a coletividade alcançará a Utopia de More.