A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 22/06/2020

A Carta Magna de 1988 dispõe a construção de uma sociedade justa e igualitária como um dos pilares que sustentam a República Brasileira;todavia,tal princípio não é observado em sua integralidade na prática,visto que a persistência do racismo na sociedade fere o direito a cidadania e vai de encontro com os ideais de justiça e igualdade descritos na Constituição.Por conseguinte,seja devido a escassa representatividade do negro em papéis de destaque na mídia,seja pelo descaso governamental com o ensino da história africana nas escolas,vê-se a necessidade de discussão do problema.

Em primeiro plano,percebe-se o déficit de artistas afrodescendentes em trabalhos de grande importância nos meios de comunicação.Partindo dessa perspectiva,Max Weber,sociólogo alemão,declara que as percepções compartilhadas e costumes,não traços biológicos,distinguem um grupo étnico de outro.Logo,para combater o preconceito racial no Brasil,o número de personalidades negras presentes nos veículos de comunicação deve ser proporcional a sua porcentagem na população,que segundo dados do IBGE conferem 55%,gerando assim um sentimento de identificação e pertencimento.Portanto,o racismo estrutural presente na sociedade é perpetuado pelas mídias,por meio das percepções compartilhadas e costumes,conforme citado por Weber.

Outrossim,o Governo colabora com o preconceito racial mediante a conservação das desigualdades nacionais.Sob essa conjuntura,Karl Marx,sociólogo alemão,alega que o Estado é negligente,pois suas ações são voltadas somente à classe dominante.Destarte,sendo a ignorância antagônica a intolerância,a falta de políticas públicas que visem o ensino sobre a história geral do negro garante a perpetuação do preconceito,já que a criticidade cultural responsável pela percepção da injustiças não é oportunizada.Em vista disso,este quadro se mantém por meio da abstração propagada pelo Estado,o que ratifica a tese de Mark.

Infere-se,portanto,que a persistência do racismo é um grande desafio no Brasil.Sendo assim,o Ministério da Educação,como entidade influente sobre o que pode ser lecionado nas escolas,deve atuar em favor dos afro brasileiros,por meio da criação de uma matéria escolar que trate da história negra de forma completa,instruindo a população,a fim de que seja desenvolvida uma percepção das injustiças estruturais.Além disso,a mídia,como agente formador de opinião,deve contribuir para a geração de conhecimento,por meio da exibição de encenações de partes da história do negro,com atores afrodescendentes nos papéis de destaque,para que esta parcela da população tenha identificação.Deste modo,atenuar-se-á,em médio e longo prazo,o impacto nocivo do racismo,e a sociedade caminhará para a concretização do ideal de igualdade contido na Carta Magna.