A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 22/06/2020

“Olhos que condenam” é uma premiada produção cinematográfica sobre a injusta prisão de cinco adolescentes negros, por pressão popular, revelando os abusos e o sectarismo racial ainda existentes. De semelhante modo, as práticas racistas persistem na sociedade contemporânea, sobretudo na brasileira, produto de sua construção histórico-social escravocrata. Tal como posto, o racismo perfaz um problema grave, perverso, a medida em que provoca desigualdade, exclusão e violência.

É importante salientar, a princípio, que as práticas discriminatórias no país existem, a despeito das correntes negacionistas atuais. Dessa maneira, uma classe se sobrepõe à outra, para isso se utilizando de estruturas de poder, o que Foucault denomina como cadeia de exclusão. É, portanto, um racismo estrutural, institucionalizado, de ações socialmente impostas. Não obstante, é raro ver negros em posições de destaque, desembargadores ou CEOs, por exemplo, e comum vê-los em bolsões de miséria e arrastados pela violência. A pobreza no Brasil tem cor e, inquestionavelmente, as consequências estão a olhos vistos.

Nessa perspectiva, cabe ressaltar, que 78% dos pobres do Brasil e 65% da população carcerária é negra, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com dados de 2018. Ademais, cargos de menor qualificação e salário são de ocupação predominantemente dessa população, ainda de acordo com a pesquisa. Nesse sentido, depreende-se que os resquícios da escravidão, em uma perspectiva socioeconômico-cultural, nunca foram superados. Dessa maneira, mais trabalho, mais violência e menos dinheiro traduzem uma dívida, que historicamente gera desigualdade, e como tal, necessita ser quitada.

É fundamental, para resolução dessa problemática, que se proponha um projeto nacional, capitaneado pelo Ministério da Educação, que vise o combate ao racismo pela educação e transformação de realidade. Que, por conseguinte, permita a aplicação de conteúdos transdisciplinares em escolas, alcançando crianças, bem como a formação de grupos de discussão em universidades, associação comunitárias e locais públicos, ressignificando cultura e comportamento, para adultos. Evitando-se, dessa forma, a repetição de histórias como as de “Olhos que condenam” e rompendo-se com essa cadeia nociva de exclusão, perversidade e violência.