A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 22/06/2020

Em maio de 2020 o mundo ficou abalado pelo assassinato de George Floyd, nos Estados unidos. Aqui no Brasil não foi muito diferente. João Pedro Mattos, com 14 anos foi assassinado durante uma operação policial. O que ambos tinham em comum? A cor da pele e a inocência. Em pleno século XXI, acontecimentos como esse evidenciam a persistência do racismo na sociedade brasileira e no mundo.

É importante discutir os extremos contemporâneos. De um lado, grupos ativistas manifestam reivindicando melhores condições de vida e igualdade. De outro, a violência e o racismo estrutural aumentam. De acordo com o documentário “A Guerra no Brasil”, de 786.000 mortes ocorridas em 15 anos, 500.000 assassinados eram pardos ou negros. Além disso, 61,7% dos presos são autodeclarados pardos ou negros. É nítido a cultura da impunidade no Brasil e no mundo, quando comparamos por exemplo o assassinato injusto de George Floyd por um policial e o cumprimento da pena de Dylann Roof, jovem branco de 21 anos que entrou em uma igreja Metodista Africana em Charleston, Estados Unidos, matando 9 negros. Dylann foi preso em 2015, e em 2017 condenado a pena de morte, sendo um caso não tão comentado.

O Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão, todavia, 1.500.000 negros foram colocados na sociedade sem nenhum suporte. Isso mostra que o Brasil nunca teve uma cultura de amparo e respeito aos negros. Essa é a outra causa da persistência do racismo e não são apenas cotas raciais que solucionaram a dívida histórica e social. É nítido as disparidades quando observamos o número de negros no legislativo, no judiciário, na mídia, na moda e formados em medicina e outros cursos.

Fica evidente, portando, que a persistência do racismo na sociedade brasileira configura-se como um problema na sociedade. É importante salientar que o Brasil possui leis contra o racismo, entretanto não são aplicadas. Cabe aos órgãos públicos criarem leis com punições severas para quem pratica o racismo e criarem medidas de inclusão, não somente como cotas nas faculdades, mas em todas as esferas da sociedade. Acesso a educação, a emprego, a saúde e ao lazer é fundamental, com a parceria de ong’s e da mídia como difusora do conhecimento e da informação. Devem ser disponibilizados cursos gratuitos, meios de transportes gratuitos e disponibilidade de pessoas para o trabalho voluntário em favelas e regiões mais carentes. Afinal, a construção da sociedade não deveria ser a razão primordial de cada cidadão? Sendo o Brasil o “país de todos”, a “ordem e o progresso” deve ser colocada em prática, garantindo a vida, o emprego e principalmente, a igualdade.