A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 24/06/2020

Sequelas da Escravidão

A partir do século XV, após seu descobrimento pelos portugueses e o surgimento do tráfico negreiro na América, o Brasil se tornou refém do sistema escravocrata. Somente em 1888 foi sancionado - pela princesa Isabel - a lei áurea, que extinguiu a escravidão, tornando o ultimo país a aboli-la. Esse fato, todavia, resultou em profundas marcas na sociedade contemporânea - assim como as cicatrizes das torturas e castigos sofridos a época. Na prática, essa discriminação ainda é terrivelmente comum na atualidade.

Recentemente, pesquisa realizada pela USP - Universidade de São Paulo - referência no Brasil, monstra que dos entrevistados 97% afirmam não ter preconceito racial e 98% confirmam conhecer pessoas que o praticam. Nesse sentido, é preciso, primeiramente, reconhecer o racismo, e não é difícil perceber suas manifestações no dia-a-dia, seja escancarado, como no masacres policias contra jovens negros da periferia - cada vez mais recorrentes nos noticiário de telejornais; seja velado, pela exclusão desse grupo na sociedade - vagas de empregos, concursos de belezas, cargos públicos. São minoritariamente preenchidas por negros.

Paralelamente, as desigualdades sociais e raciais estão intrinsecamente ligadas à marginalização dessa comunidade, os mais pobres, moradores da periferia, são majoritariamente negros, na contramão, bairros nobres ainda são predominantemente habitados pela outra parcelada - privilegiada - da população. Entretanto, essa segregação mascarada, apesar de enraizada, está em decadência. De fato, dados recentes do IBGE dão indícios disso, ao revelar que pela primeira vez na história negros se tornaram maioria em universidades públicas. Nesse contexto, a ascensão desse grupo pode ressignificar a estrutura social do país.

Torna-se claro, portanto o comportamento ainda racista da população brasileira. Tudo isso, no entanto, evidência a necessidade de medidas para reverter a situação. Pra isso, a sociedade tem papel fundamental, na mobilização de grupos e pressão popular para que intervenções sociais do Estado sejam tomadas - este pode atuar na criação de palestras nas escolas e faculdades e conteúdo nas grandes mídias para conscientização dos cidadãos. Desta forma, será possível amenizar as raízes deixadas por um país que viveu por anos sob as sequelas da escravidão. Só então seremos uma nação que promove a igualdade.