A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 07/07/2020
Em 13 de maio de 1888 foi sancionada a Lei Áurea, essa que aboliu a escravidão do Brasil, não por um consenso geral, mas por pressão de outros países. Em consequência, os negros, libertos sem qualquer apoio ou suporte da Coroa Portuguesa para sua inserção no meio social, sofreram com a falta de moradia, fome, educação e o desemprego. No contexto atual, não há como negar que o povo negro, em sua grande maioria, permanece nas periferias até hoje, devido a falta de oportunidades e a um racismo enraizado na mente de muitos mesmo que inconscientemente.
Para uma primeira análise, obtém-se o Art. 5 da Constituição brasileira: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.” Entretanto, não é o que ocorre na realidade, visando que a renda mensal dos pretos é de 55,8% da dos brancos, melhor dizendo, enquanto o branco possui uma renda mensal média de R$ 2.999, o negro possui um rendimento médio de R$ 1.673, segundo dados do IBGE. Tendo em vista o exposto, faz-se mister compreender que essa discrepância salarial entre os iguais é completamente inaceitável, pois corrobora para uma sequência de privilégios em prol de parte da população.
Em uma segunda análise, adquire-se o seguinte quadro, a taxa de analfabetismo entre os afros passa a ser de 9,9% enquanto a do branco estabiliza-se na média de 4,2%, tratando-se de ensino superior completo os brancos continuam liderando o pódio com 22,9%, mais que o dobro da porcentagem de negros com 9,3%, de acordo com dados do PNAD. Dessa forma, entende-se que a desigualdade racial se faz presente diariamente, ela se tornou um ciclo do qual a família negra está “designada” a traçar, em virtude do preconceito.
Em suma, para que o preconceito enraizado acabe de uma vez por todas é necessário que o Ministério da Educação, juntamente com o Governo Federal, instaurem um novo conteúdo na grade curricular do aluno de ensino fundamental, esse terá como função cultivar na criança o conceito de um cidadão justo, tratando como igual o ser humano ao seu lado. Feito isso, conforme o futuro cidadão for desenvolvendo-se terá o preconceito racial e outros como algo inexistente em sua vida, de tal maneira que o povo brasileiro, miscigenado, será um só, na vida, na história e não apenas no papel da Constituição.