A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 30/06/2020
Na série da Netflix “Coisa mais linda”, tem como cenário o Rio de Janeiro de 1960, marcado pelo racismo. Com efeito, a protagonista negra Adélia é vista como indigna de usar elevador social ou ir a praia. No entanto, apesar da série ter como perspectiva a década de 60, ataques preconceituosos a jornalista da TV Globo preta Maju Coutinho em 2019, demonstram a persistência do racismo na sociedade brasileira, enraizadas por vezes por questões socioculturais e estruturais.
A princípio, é possível perceber que essa circunstância deve-se a questões socioculturais. Durante toda formação do Estado brasileiro, a escravização de negros se fez presente em parte significativa do processo; após a abolição em 1888, a discriminação disseminada por ideologias que pregam a superioridade do homem branco, como o darwinismo social, levam a completa marginalização desse povo. O que hodiernamente é refletido segundo dados do relatório da Oxfam: 67% dos negros brasileiros estão entre as pessoas que recebem até 1,5 salário mínimo, tendo como estimativa a equiparação salarial entre brancos e negros em 2089. Assim sendo, a desigualdade existe e o preconceito estrutural prorroga essa situação.
Outrossim, vale ressaltar que essa situação e corroborada por questões estruturais. Em meados da primeira metade do século XX, teses Eugenistas, que pregam o branqueamento da população, foi estimulada no Brasil. Por conseguinte, foi refletido em quadros como: “Redenção de Cam”, na qual uma mulher negra agradece ao céu ter tido um neto branco. Nesse viés a sociedade brasileira criou alicerces, sendo estruturalmente racista. Apesar da Constituição Federal de 1988, pela lei n.º 7716, tornar o racismo crime inafiançável, comentários pronunciados pelo presidente da Fundação Palmares em 2019, Sergio Camargo, na qual nega a existência de tal no país, demostra o prosseguimento dessa realidade e o desconhecimento histórico da veracidade de fatos que comprovam isto. Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário.
Para que isso ocorra, o Ministério da Cultura e Educação em parceria com a mídia devem desenvolver palestras e debates em escolas e meios de comunicação, através de entrevistas com vitimas do racismo, que expliquem em parte o que essas atitudes podem desencadear, de maneira a garantir uma maior lucidez e conscientização ao tema. Ademais, o Governo deve criar delegacias especializadas em crimes racistas, de modo à repreender, através da Constituição, com maior eficiência à comentários preconceituosos. Assim a equiparação entre brancos e negros no Brasil, deva ocorrer antes de 2089.