A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 29/06/2020

A colonização brasileira foi extremamente marcada pela escravidão, principalmente, após o aumento do tráfico negreiro, no qual os africanos eram trazidos da África e forçados a trabalhar compulsoriamente em condições desumanas e insalubres. Nesse sentido, o país enfrenta os desafios advindos do racismo, como preconceitos e discriminação contra essa etnia, visto que por séculos essa prática foi legitimada. Dessa maneira, a persistência do racismo é fruto de uma sociedade que ainda reproduz comportamentos errôneos aliados à ineficiência das leis para combater essa injustiça.

Convém analisar, inicialmente, que de acordo com a Declaração Universal De Diretos Humanos, em seu primeiro artigo, todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direito. Nessa lógica, devido as questões históricas enraizadas, por muito tempo criou-se uma imagem do negro como um sujeito inferior em relação à raça humana sendo, inclusive, passível de ser dominado para atender aos interesses da elite predominantemente branca. Desse modo, os direitos dessa minoria foram desprezados e arrancados a força por meio de punições de modo que fez com que esse indivíduo fosse tratado como uma mercadoria. Como resultado, na década de 1970, surgiu o movimento negro pautado na luta contra o racismo e pela a igualdade entre as raças, que apesar de ter mobilizado parcela da população a exigir esses direitos ainda existe uma forte segregação.

Outrossim, segundo o escritor Gilberto Freyre, em seu livro “Casa Grande e Senzala”, o Brasil escapou das relações desiguais entre as raças devido a forte miscigenação a qual o país era marcado e por isso haveria uma democracia racial. Entretanto, essa  teoria só serviu para mascarar o racismo na sociedade, uma vez que para frear as atitudes racista no país foi necessário criar leis que punissem essa prática. Em outras palavras, a Constituição Federal de 1988 diz que os crimes resultantes de discriminação, preconceitos de raça, cor ou etnia devem ser punidos, porém, essa alternativa é ineficiente, já que as ações racistas geralmente passam “desapercebidas” ,por exemplo, na forma de piadas e esteriótipos comuns na socialização dos cidadãos.

Fica evidente, portanto, a urgência de medidas para acabar com o preconceito enraizado no país. Logo, cabe ao Ministério da Educação promover nas escolas uma formação socioeducativa pautada no respeito às diferentes raças e etnias presentes na comunidade, por meio de teatros e debates desde o ensino fundamental ao médio, que encenem e retratem sobre a luta pela igualdade a fim de desconstruir o racismo na sociedade e garantir os direitos de maneira igualitária. Ademais, é dever do Governo fiscalizar o cumprimento das leis por intermédio de disque-denúncias voltados à atender as vítimas e reunir provas da discriminação com intuito de punir o infrator e combater o racismo no Brasil.