A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 30/06/2020

Em Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis retrata a lógica da sociedade brasileira do século XIX a partir da visão de Brás Cubas, que representa a elite canarinha. Em certo momento da narrativa, o protagonista conta que, quando criança, montava nas costas de Prudêncio, seu escravo, para brincar de montar em cavalo. Assim, Machado cria o símbolo do que é, até hoje, a história de um país que não valoriza suas raízes culturais e mantém uma educação eurocêntrica, configurando a realidade racista presente.

Em primeira análise, percebe-se que o povo brasileiro tornou-se um país bastante plural devido a sua forma de colonização, quando recebeu influências étnicas e culturais principalmente de países europeus e africanos. Essa pluralidade é melhor entendida a partir dos dados do Pnad, que mostram que mais da metade da população brasileira da última década se autodeclara negra ou parda, mostrando a forte presença que as origens dos povos africanos escravizados tiveram sobre o país. Entretanto, percebe-se que a atuação dos negros na formação da sociedade brasileira, mesmo sendo extremamente ativa, infelizmente não é estudada tão profundamente na educação fundamental ou no ensino médio, que possuem uma sistemática de ensino mais focada na história européia e dos estados unidos, por exemplo.

Além disso, o racismo ainda é notável no que tange aos aspectos da cultura afro-brasileira, que são, por diversas vezes, estereotipados e segregados. Na literatura, isso é visto a partir do momento que Machado de Assis, sendo neto de escravos alforriados, teve sua imagem modificada por anos, e só recentemente seus traços negros foram resgatados e exibidos. Isso mostra a necessidade do maior reconhecimento da música, literatura, religião e outras manifestações que fazem parte da identidade desse grande território misto, e que, lamentavelmente, teve sua história contada restrita por uma elite escravocrata.

Portanto, o Ministério da educação, a fim de contribuir para a não persistência do racismo, pode modificar a grade curricular de ensino, implementando um aprofundamento da história da África nos conteúdos de ciências humanas, bem como utilizando da matéria de Artes para divulgação da cultura afro-brasileira e da denúncia do racismo. As escolas poderão incentivar os alunos com apresentações de trabalhos dessas matérias, e assim transformar o símbolo da a narrativa de Assis em simples literatura, não mais em realidade.