A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 03/07/2020
A escravidão no Brasil iniciou-se por volta da década de 1530, e apenas no ano de 1888, com a Lei Áurea, essa prática foi abolida, porém não houve a criação de medidas para integração do negro na sociedade, dessa forma, o preconceito para com esse grupo foi normalizado no país. No contexto atual, observa-se que os negros ainda são minoria em cargos de elite, bem como são um dos grupos menos representados na mídia e no cinema, o que faz com que o pensamento racista perpetue na sociedade brasileira.
Em primeiro lugar, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE no ano de 2015, os negros representam 54% da população brasileira, porém eles ainda são minoria em espaços de poder, compondo apenas 29,9% dos cargos de destaque no Brasil, de acordo com a pesquisa do IBGE realizada no ano de 2018. Em suma, o negro praticamente não é visto no âmbito acadêmico, político, da saúde ou na chefia de empresas, e esse fator contribui para que o branco não o reconheça como igual. Além disso, quando não se convive junto de pessoas negras, não há uma familiarização com a sua cultura, e isso automaticamente cria um receio ao diferente, o que também colabora para a difusão do racismo na sociedade.
Outro aspecto a ser abordado é a baixa representatividade negra na mídia e no cinema, em que, segundo a pesquisa Diversidade de Gênero e Raça, divulgada pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) no ano de 2016, os negros representaram apenas 20% do elenco de todos os filmes produzidos naquele ano, e na televisão brasileira o cenário não é diferente. Ademais, os negros, quando representados, aparecem em papéis que reforçam estereótipos tradicionais e até mesmo pejorativos, como o negro que ocupa cargos de porteiros, motoristas, empregadas domésticas ou que atua num núcleo onde há criminalidade, e esse ato tende a influenciar negativamente na construção da identidade da população negra e de como ela é vista pelos outros.
Diante do exposto, nota-se a necessidade da inclusão do negro em todas as esferas sociais tanto quando a do branco. Desse modo, o governo deve investir em escolas e em cursos profissionalizantes nas comunidades mais pobres, pois é onde está localizada a maior parte da população negra, para que assim, estejam capacitados, e tenham o mesmo número de oportunidades no mercado de trabalho que um branco, de forma que, as diferenças sejam minimizadas e junto delas o racismo. Ainda, nas esferas da mídia e do cinema, os produtores devem mudar o foco do protagonismo branco para o do negro, e assim, equilibrar o elenco das produções, além de parar de limitar o negro a esteriótipos.