A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 01/07/2020

“Eu tenho um sonho”, foi assim que Martin Luther King iniciou seu célebre discurso em prol da liberdade e igualdade para a população negra em 1963. Sob essa ótica, o abismo social marcado no cenário atual apresenta-se como uma consequência inerente à história do Brasil, que devido a um racismo estrutural auxiliado a negligência estatal para com a população negra, proporciona a perpetuação do preconceito racial.

A princípio, é preciso reconhecer as raízes históricas dessa problemática. Desse modo,o processo de colonização do Brasil, se concedeu a partir da exploração, da intolerância e do preconceito entre povos, mas que infelizmente não cessou após a promulgação da Lei Áurea em 1888. Nesse sentido, é fato que a sociedade atual encontra-se em constante transformação, haja vista que, há uma maior liberdade para discutir e desconstruir padrões antes impostos. Contudo, cenas de intolerância e preconceito ainda tomam forma, tanto nas escolas em que a naturalização de falas, apelidos e brincadeiras de cunho racial banalizam e legitimam o racismo, quanto nas novelas que sustentam estereótipos. Tal realidade também estende-se a internet, em que as pessoas usam do anonimato para expressarem seu preconceito e intolerância para com o outro.

De modo complementar, o artigo 5° da Constituição Federal de 1988 garante a todos os cidadãos o direito à igualdade, liberdade e segurança, no entanto há uma falha estatal quanto a aplicação desses direitos, visto que, um abismo social vem sendo estruturado desde a inserção da população negra na sociedade que ao não terem tido nenhum tipo de auxílio social ou econômico foram obrigados a viverem em um cenário de pobreza e escassez, sendo essa uma realidade próxima a de muitas pessoas, desse modo, a desigualdade social torna-se também racial.

Em suma, é necessário a adoção de medidas que atuem na problemática. Para tal, cabe ao Ministério da Cultura e o Ministério da Educação implementarem seminários semestrais com foco histórico antropológico, a fim de orientar os alunos sobre a cultura negra, de modo a desconstruir essa visão discriminatória procedente do período de colonização. Ademais, cabe ao Estado desenvolver projetos que atuem na inclusão e desenvolvimentos de regiões carentes, com o objetivo de melhorar as condições e perspectiva de vida dos que ali residem. Dessa forma, torna-se possível vislumbrar a sociedade tão sonhada por Martin Luther King.