A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 05/07/2020

Segundo Oscar Wilde, “a insatisfação é o primeiro passo para o progresso”. E no contexto atual de manifestações em todo o mundo em prol de vidas negras, percebe-se que não é só a violência policial que mata, mas também a falta de escolaridade e oportunidades iguais a todos.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2019, 75,4% das mortes ocorridas em operações policiais em 2018 foram de pessoas negras, que compõem 53% da população brasileira. Os que morrem em maior número são crianças e jovens, que passam mais tempo nas favelas, onde a polícia tem liberdade para entrar atirando em qualquer um, porque é nesses lugares que a população negra está mais presente. Esse entendimento e normalização de mortes negras é o reflexo de uma sociedade racista e que pouco se importa com essa parcela de cidadãos, que é minoria em escolas e nos altos cargos das empresas do país.

Como citado anteriormente, negros são minorias nas escolas, principalmente no ensino médio, quando muitos precisam largar os estudos para trabalhar e ajudar nas despesas domésticas. Como dizem os dados do IBGE no segundo semestre de 2019, 4,2% dos jovens negros entre 15 e 17 anos só trabalham, enquanto em relação aos jovens brancos, essa porcentagem cai para 3,8%. Contudo, o número de negros e pardos nas universidades públicas do país chegou a mais da metade (50,3%) do número de matriculas em 2018, e a analista de indicadores sociais do IBGE, Luanda Botelho, explica ao site AgênciaBrasil que essa melhora nas estatísticas se dá pelas políticas públicas que possibilitaram o acesso e a permanência de pretos e pardos nas redes de ensino.

Dado o exposto, conclui-se que, apesar das conquistas do povo negro, ainda há muitas coisas que precisam ser mudadas na sociedade brasileira, como os abusos policiais e os altos números de jovens fora das escolas.  Consegue-se mudanças significativas por meio do Ministério de Educação, que deve investir em mais escolas e projetos educacionais que tirem jovens periféricos da mira da marginalidade e os deem outras perspectivas.