A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 06/07/2020

Desde o período da colonização, a cultura brasileira passa por uma fusão de diversas vertentes culturais que participaram da ocupação do país. Todavia, o protagonismo político português na invasão juntamente com o posto de repulsão imposto sobre os indígenas e negros, resultou no enraizamento do eurocentrismo na civilização brasileira, dando valor, assim, ao proveniente da Europa e desprezando o que vem de origem negra, como consequência, negros vivem até hoje os resultados da colonização; sendo marginalizados, excluídos e violentados.

Em princípio, é necessário salientar que, no Brasil, a segregação racial não surgiu de modo espontâneo, mas sim como resultado do posto de superioridade autoconcedido pelos europeus que deixaram seu próprio povo em um pedestal, menosprezando todos os outros. Posteriormente, essa atitude decorreu em algo estrutural na sociedade brasileira, visto que a cultura negra é desvalorizada diariamente. Tal desvalorização é visível na música, no teatro ou, por exemplo, no cinema, como comprova a pesquisa Diversidade de gênero e raça, publicada pela Agência Nacional do Cinema, Ancine, em 2016, que evidencia que apenas 13,3% do elenco de filmes brasileiros foi composto por negros.

Em segundo plano, nota-se que o desprezo direcionado à cultura negra e a pouca representatividade não é algo livre de consequências pois impõe uma marginalização sobre essa etnia e traz dificuldades que vão da área profissional à própria segurança, visto que segundo o Atlas da Violência, publicado em 2019, 75,5% das vítimas de assassinato em 2017 eram indivíduos negros. As desigualdades estão expostas à sociedade e o silêncio dela é ensurdecedor, pois, como dito por Martin Luther King Jr, um importante ativista pelos direitos civis negros, “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”

Diante dos argumentos supracitados é evidente que uma grande parcela da sociedade contribui com o racismo estrutural sem perceber, logo, faz-se necessária uma intervenção mediante à divulgação de dados sobre as consequências do racismo pelo Ministério da Cultura por meio de campanhas em mídias sociais que demonstrem que o silêncio também tem consequências. Ao combater, portanto, a desinformação, é possível mudar o pensamento racista e promover mudanças em todas as áreas da sociedade.