A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 05/07/2020
“Eu tenho um sonho que um dia meninos e meninas negras serão capazes de dar as mãos a meninas meninos brancos como irmãos”. As palavras de Martin Luther King Jr. são lembradas por todo o mundo como um dos maiores discursos da luta pela igualdade e fim do preconceito racial, experienciado por milhares de brasileiros que se declaram negros, e que persiste por gerações desde a colonização do Brasil até os nossos dias, quando já deveríamos ter consciência de que somos todos iguais.
São poucos os negros que não tem relatos de situações racistas de que foram vítimas, e mesmo representando a maioria da população, são minoria nos cenários políticos e empresariais, o que indica que esses brasileiros são marginalizados e vivem grande parte nas periferias do sociedade. Ademais, a falta de saneamento básico e direito a educação e saúde que afetam essas pessoas contribuem para a sua permanência na pobreza, acentuando as discrepâncias sociais que levam a prática de roubos e tráfico de drogas, pintando uma figura em que o negro é bandido e o branco é o mocinho, quando a classe dominante majoritariamente de pele clara nega aos marginalizados oportunidades de uma subsistência honesta. Logo, Há no Brasil, uma exclusão estrutural, que atravessa sobretudo pessoas negras, moradores de territórios de favela e de territórios periféricos, como afirma Mariah Rafaela da Silva, pesquisadora da UFRJ.
Assim sendo, devemos analisar o problema desde suas raízes, e as mais fortes delas remontam ao tempo do Brasil colônia, quando os povos ibéricos e britânicos se valeram da escravidão e tráfico negreiro para a exploração das Américas. Com efeito, depois de quatro séculos do uso de mão de obra escrava, a elite branca estava economicamente a quilômetros acima da população escrava recém liberta e sem qualquer amparo, que se acomodava nos entornos das cidades, na maioria das vezes sendo forçados a trabalhar em condições desumanas. Porém, cento e trinta anos depois a luta por direitos sociais ainda continua e o preconceito ainda é presente no cotidiano.
Portanto, ações que visem diminuir as desigualdades sociais são necessárias, que, combinadas com campanhas de conscientização feitas pelo ministério da infraestrutura e pelo ministério da educação são imprescindíveis no combate ao racismo, pois somente quando a população periférica tiver condições básicas de sobrevivência, poderão alcançar status sociais mais elevados. Além disso, conscientizar a população para incentivar a inclusão e desincentivar o preconceito é fundamental para que a sociedade brasileira seja cada vez mais plural e unida, para que enfim possamos viver o sonho de darmos as mãos e sermos todos iguais.