A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 06/07/2020
Atualmente no Brasil a luta negra tem ganhado voz, trazendo à tona os grandes malefícios do racismo, esse por sua vez está enraizado na nossa cultura e presente até mesmo no nosso vocabulário. O racismo, de todas as formas, é inaceitável e injustificável e deve ser combatido.
Sabe-se que o racismo é o preconceito ou discriminação racial, podendo ser definida por discriminação e/ou ódio racial quando há violência física ou verbal contra certa etnia, tal ato é considerado crime previsto na lei 7716 vigente no código penal. Quando o racismo parte de instituições públicas ou privadas, chamamos de racismo institucional e temos como exemplo os casos de João Pedro e George Floyd que deram vida ao movimento ‘Black Lives Matter’ que mobilizou o mundo todo em 2020. Há ainda a forma de racismo mais predominante no Brasil, o Racismo Estrutural.
Isto é, um preconceito completamente arraigado em nossa cultura, presente no vocabulário como por exemplo as palavras: “denegrir”, “esclarecer”, e “doméstica” que remetem aos negros de forma escravizada, ou então ’esbranquiçando-os’. Algumas expressões como “meia tigela”, “a coisa ta preta”, e “serviço de negro” também são preconceituosas pelo teor de que tudo que é negro ou escuro, seja ruim. Não só na fala, o preconceito também está na forma de pensar, como quando alguém se sente inseguro ao cruzar com um negro na rua, rapidamente o associando ao esteriótipo de ‘bandido’, ou associando negros sempre a cargos baixos como em setores de limpeza e trabalhos menos rentáveis.
Há também casos em que a luta racial é colocada em pauta e discutida apenas por pessoas brancas, desvalorizando a causa e o potencial de mudança que as pessoas negras têm, ou ainda em casos mais extremos, minimizando o racismo sinalizado por pessoas negras, na tentativa de justificar tais atos, ou ainda defendendo o mito do racismo reverso. Resumidamente, estima-se que 54% da população brasileira é negra, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), essa porcentagem significa mais da metade da população, mas mesmo assim, com o passar do tempo e o largo acesso à informação, o racismo continua frequente tanto nos pequenos detalhes estruturais, quanto em grande detalhes como a taxa de homicídio anual que segundo o Atlas da Violência de 2018 apontou que 71,5% dos assassinatos correspondiam a pessoas negras.
Em suma, sabemos que o racismo é crime e deve ser combatido, é necessário que a população negra ganhe voz sobre sua luta, e espaço na igualdade racial. Tendo isso em vista cabe ao Ministério Público Federal garantir que as penalizações por racismo sejam aplicadas vigente constituição punindo atos de ódio racial, também é dever do Estado garantir que as minorias tenham acesso de qualidade a educação, saúde e segurança, promovendo igualdade em todos os setores comuns.