A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 06/07/2020

O racismo é uma chaga tanto na sociedade brasileira, como mundial. Mesmo após a abolição da escravatura a população negra, muitas vezes, permanece a mercê das margens de um prestígio. Podemos ver claramente que a exclusão está presente em universidades, trabalho e principalmente no cotidiano.

Última nação ocidental a conceder a liberdade negra, com a Lei Áurea, de 1888. Desde então o Brasil tem buscado uma imagem de convívio racial pacífico. No Brasil, o racismo é um fenômeno facilmente expresso em números. Pretos e pardos representam 56% da população. Mesmo assim, são minoria nos espaços de decisão: ocupam pouco mais de 29% dos cargos de gerência nas empresas brasileiras. Entre os mais pobres, os negros são muitos: dentre os 10% dos brasileiros com menor renda familiar mensal, 75% são negros. Entre os que morrem, eles são maioria: uma pessoa negra tem 2,7 vezes mais chances de ser vítima de homicídio que uma pessoa branca.

A “diferença” entre brancos e negros está presente em todos os lugar, mas onde podemos notar em maior ênfase é na folha salarial. De acordo com o Pnad (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios), a diferença salarial entre brancos e negros é de 45% em 2019. Segundo cálculo do Instituto Locomotivam, a diferença salarial, possuindo ensino superior é de 31%. Insolando as demais variáveis,  infelizmente julgam pela tom de pele. Contudo, a política de cotas, por exemplo, vem legando uma mudança na feição das universidades e das repartições públicas – hoje mais heterogêneas.

Os avanços na política de inclusão racial no Brasil, entretanto, ainda continuam pontuais e resultam de pressões da sociedade organizada. O país permanece sem uma política de Estado coordenada, ampla, que ultrapasse governos e esteja presente em diferentes pastas, como o Ministério da Justiça – com políticas mais precisas de ressocialização da população carcerária, em sua maioria negra – e o Ministério da Educação – com ações sistemáticas de conscientização em eventos e materiais didáticos. Só assim, ultrapassando ações pontuais, será possível minimizar de forma mais efetiva o abismo racial que ainda assola o país.