A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 13/07/2020

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o racismo no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto de fatores de ordem governamental, quanto de ordem social. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de pleno funcionamento da sociedade.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga é possível perceber que, no Brasil, o racismo institucional rompe essa harmonia, haja vista que de acordo com o IBGE a polícia brasileira matou 5 804 pessoas do total, pelo menos 4 353 eram negros e uma dessas mortes gerou comoção nacional que foi a morte de João Pedro menino negro, que foi morto a tiros dentro de casa em São Gonçalo durante uma operação contra tráfico de drogas das polícias Civil e Federal. Desse modo, medidas para solucionar essa realidade tornam-se fundamentais.

Outrossim, destaca-se o preconceito racial como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o racismo é estruturado na conjuntura social e econômica, com base em percepções arcaicas. Em sua música “Mão da Limpeza” o cantor Gilberto Gil retrata a invisibilidade que o negro possui na sociedade e que apesar dos anos de luta e resistência, os negros permanecem na base da hierarquia social e são segregados no que se refere as questões trabalhistas no geral. Dessa forma, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à  construção de um mundo melhor. Logo, o Ministério da Cidadania deve implementar leis de modo que respeitem os direitos e deveres de cada cidadão, punindo os ofensores que cometerem algum ato repudioso de preconceito com a finalidade de criar uma sociedade mais harmoniosa. Ademais, o Ministério da Educação deve promover a conscientização no tocante às questões raciais nas escolas por meio da introdução de disciplinas obrigatórias no que tange à relevância do negro na sociedade. Tal medida resultará na maior ciência acerca da importância dos grandes formadores da cultura nacional, reduzindo gradativamente sua marginalização e contribuindo para a construção de um país que, de fato, seja racialmente democrático. Deste modo, tornará possível uma sociedade mais justa e igualitária.