A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 15/07/2020

“O homem é fruto de um processo histórico”. Sob esse conceito do filósofo francês Foucault, a gênese da sociedade brasileira, durante o período colonialista, foi um fator fundamental na formação do racismo estrutural presente no país. Isso, pois, ao utilizar mão-de-obra escrava advinda da África, relegou a população negra, ainda que alforriada no final do século XIX, a um papel marginal no Brasil. Conclusivamente, esse status quo de exclusão e discriminação racial é um grave problema atual, o que pode ser analisado por aspectos culturais e sociais.

Mormente, a questão da supressão cultural do negro é fruto da relativização do seu valor perante às classes dominantes no contexto colonial. Nesse ínterim, o escultor Flávio Cerqueira, em sua obra “Amnésia”, apresenta a estátua de uma criança negra despejando um balde de tinta branca sobre a sua cabeça. Analogamente, há um processo de desvalorização da figura do negro, uma vez que, apesar de conquistar sua liberdade com a promulgação da Lei Áurea, os resquícios de séculos escravistas deturparam a visão coletiva a respeito dos recém libertados, originando a subjugação da vida e do seu respectivo valor social. Destarte, é mister que esse preconceito incentiva a violência racial.

Ademais, a falta de tutela do Poder Público perante as populações mais excluídas socialmente submete-as a um cenário de precariedade. Nessa conjuntura, apesar da Constituição Federal, em seu artigo 2º, preconizar a construção de uma sociedade igualitária e sem pobreza, quando se analisa as condições da população negra, marginalizada sócioespacialmente, percebe-se que há uma lacuna na aplicação dos direitos sociais brasileiros. Logo, é fulcral a atuação das autoridades governamentais de modo a reduzir a desigualdade racial.

Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver a lide em questão. Assim, o Governo Federal, sob a figura do Ministério dos Direitos Humanos, deverá promover a valorização da população negra na identidade societária nacional, por meio da implantação de projetos sociais, públicos e não-governamentais, com o intuito de diminuir a violência racial no Brasil, assim como promover a inclusão das populações marginalizadas. Por conseguinte, será realizada a reparação do processo histórico patriarcal brasileiro, com o estabelecimento da importância universal da vida humana, independentemente da cor da pele de cada um.