A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 23/07/2020
Em sua obra “Vítimas Algozes”, o escritor Joaquim Manuel de Macedo escreve contos sobre como a escravidão corrompe e destrói o ser humano. Entretanto, a forma como a narrativa é trabalhada inspira não um sentimento de injustiça, mas o de temor sobre o quão atroz o negro escravo pode ser. Fora da ficção, o pensamento relativamente racista o qual o autor possuía é infelizmente ainda frequente no Brasil, seja pelo descaso dos primeiros líderes republicanos em alterar essa imagem negativa ou pela perpetuação dessa ideia pela própria elite social.
Em primeira análise, em seu livro “A república”, o Filósofo Platão determina que o ato de governar deve ser destinado exclusivamente para proporcionar o bem-estar máximo de uma população. Porém, o Estado ainda é falho no que tange à seguridade da população afro-brasileira, que ainda na modernidade é vítima de diversas barreiras sociais, devido ao fato de que, durante os primeiros anos de abolição da escravatura, os poderes políticos nada fizeram para garantir dignidade aos antes escravos, o que os impediu de possuir estabilidade e os forçou a cometerem delitos para sobreviver, gerando assim uma opinião ainda mais negativa acerca deles pelo establishment, a qual infelizmente perpetua até a atualidade.
Concomitante a isso, o supracitado estereótipo criado durante os séculos XIX e XX se estabeleceu como uma falsa verdade para a elite nacional, que, com essa ideia errônea em mente, utilizou de todos os artifícios que dispunha para impedir a luta por igualdade dessa etnia. Consequentemente, os efeitos dessas ações se tornaram perceptíveis, uma vez que afrodescendentes possuem mais dificuldade para receber uma promoção profissional, um aumento na renda fixa ou conseguir um cargo político, fatos esses comprovados estatisticamente, já que, segundo o IBGE, embora negros e pardos constituam cerca de metade da população brasileira, só constituem menos de 20% do total de deputados federais, além de que trabalhadores assalariados com essas cores de pele recebem cerca de 30% a menos. Dessarte, é necessária a reversão desse quadro crítico. Nessa lógica, cabe ao Poder legislativo não apenas elaborar projetos em que representantes da cultura negra conversem e se apresentem em escolas, por meio de palestras e representações históricas, para que o ideal racista seja arrancado pela raiz, mas também por meio de decretos que cedam incentivos fiscais às empresas que possuam uma determinada cota de assalariados negros, assim como uma para afro-brasileiros com influência no comando da empresa, para que dessa forma a desigualdade social e econômica diminua e os preconceitos enraizados desde a obra de Macedo enfim cessem.