A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 26/07/2020
No dia 15 de maio de 1888 foi promulgada a Lei Áurea, a qual proibia a escravização, principalmente da população negra, no território brasileiro. Sendo um dos últimos países a extinguirem a comercialização de indivíduos e de forma ineficaz pois não houve um planejamento que auxiliasse esses ex-escravos. Portanto, devido ao atraso e ineficiente ato constitucional que promove-se a ascensão social de tais, ainda é persistente o racismo na sociedade brasileira e a ilusão de um democracia racial. Dessa forma, é inquestionável a criação de ações que combatam essa realidade.
A ideia de que o Brasil é por si um país em que todos são miscigenados, logo não há racismo e que, por conta disso, ocorre uma democracia racial é um dos principais impulsionadores da existência do racismo na atualidade. Para a filósofa Djamila Ribeiro, a sociedade brasileira se resume em conjunto de indivíduos que entendem o que é o racismo, contudo, segundo ela: “todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”. Dessa forma, por consequência desse pensamento predominante nos brasileiros, ocorre a permanência do racismo estrutural, em que apesar do principal ato racista já ter sido abolido, ainda a há manutenção de práticas que descriminam e negligenciam tal população por conta de sua cor de pele. Principalmente, devido a formação da sociedade brasileira, em que apesar de abolir a escravidão, ainda assim é mantido muito de suas raízes estruturais.
Diante disso, o Brasil apesar de ter a grande maioria da sua população miscigenada, ele ainda é um pais racista na sua estrutura e, como resultado, reflete nas ações da sociedade como um todo. Segundo dados do El País, o Brasil tem a maioria da população composta por pretos, cerca de 55,8%, no entanto é essa parcela da sociedade que mais sofre de analfabetismo, menores salários e principalmente da violência, originada, muitas vezes, por policiais. Exemplo dessa violência inaceitável são os casos de George Floyd, nos Estados Unidos, e do menino João Pedro em que foram vitimas de racismo por meio de uma operação policial. Dessa forma, é inegável que o racismo é muito permanente na sociedade e interfere na vida dos indivíduos negros desde os pequenos atos até a própria morte.
Portanto, para que haja um combate na permanência do racismo é fundamental que a sociedade brasileira entenda que ela venho de uma formação racista e por conta disso muito de suas ações ainda se mantêm. Dessa forma, para alcançar tal compreensão é necessário que o Ministério da Educação aliado com as principais mídias devam promover o discurso nas escolas e em outros ambiente sobre combate ao racismo e da igualdade racial por meio de ativistas negros, os quais possam destacar as principais raízes do racismo ainda presente e da formação do racismo histórico no Brasil. Com o fim de promover de fato uma democracia racial e cumpra de forma eficaz aquilo que a Lei Áurea não obteve.