A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 05/08/2020

Em “O Alto da Barca do Inferno”,Gil Vicente, pai do teatro português, tece críticas sobre o comportamento problemático da sociedade do século XIX. Hodiernamente, ainda é possível verificar no Brasil do século XXI que tais atitudes se perpetuam, um exemplo disso é a persistência do racismo. Isso se dá tanto pela lacuna legislativa como pelo legado histórico brasileiro, ambos os pontos atuam como catalizadores do problema.

Em primeiro plano, vale salientar como a deficiência nas leis se torna um agravante para o racismo. A Constituição Federal de 1988 prevê que todo cidadão deve ser tratado de igual pra igual e desfrutar de todos seus direitos civis de forma concreta e completa. Entretanto, nota-se que não é essa a realidade vivida no Brasil, tendo em vista que o racismo ainda é uma pauta presente nas discussões. Isso demonstra como há um não cumprimento do código vigente em sua integralidade, o que dificulta e impede cada vez mais a igualdade racial no Brasil contemporâneo.

Além disso, vale salientar que o legado histórico que o país carrega é um dos principais causadores dessa cultura racista e preconceituosa. Desde a exploração dos indígenas e africanos, tanto nos engenhos, como na plantação de café, o Brasil se tornou um país escravocrata, onde os negros não tinham espaço e nem valor, e, mesmo após a libertação da escravidão, em 1888, não houve inserção de ex-escravos no mercado de trabalho. Esse legado só demonstra como é dificultoso o estabelecimento da equidade racial num país deturpado durante tantos anos.

Destarte, medidas precisam ser adotadas para minimizar o problema. Então, o Ministério da Educação junto com as Escolas devem desenvolver um projeto sobre educação racial, que consiste em unir história com sociologia pra explicar como o processo do racismo se deu e como combatê-lo, por meio de aulas expositivas, debates, leituras, filmes, dentre outros recursos educativos. Dessa forma os jovens, a futura geração, seriam convidados a abandonar essas raízes nocivas e racistas, e viver em um Brasil onde há uma igualdade racial mais efetiva.