A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 07/08/2020

A persistência do racismo na sociedade brasileira

“O racismo é um caso particular de discriminação em que o indivíduo, pelas características físicas que determinam sua raça, vira alvo de segregação” afirma a organização de direito civil privado SaferNet. O Brasil é conhecido por ser um um país extremamente miscigenado, todavia, o desrespeito e as manifestações de ódio direcionadas aos negros e à cultura africana continuam sendo perpetuados. Com isso, é levantada a seguinte questão: quais aspectos contribuiram para a persistência do racismo na sociedade brasileira?

Em primeira análise, discute-se essa visão de superioridade que algumas pessoas pensam ter sobre os negros. Ela não cessou após os escravos terem ganhado sua liberdade a partir da Lei Áurea, pois na época não houve garantia nenhuma de direitos aos novos libertos, e eles continuaram sendo excluídos da sociedade e tendo sua humanidade desvalorizada pelo Estado, como informado pelo historiador Luiz Alencastro. Infelizmente, esse problema continua presente na atualidade, como no caso do goleiro Aranha, que foi comparado a um macaco por uma torcedora gremista durante uma partida da Copa do Brasil, em 2014.

Em segunda análise, discute-se a matriz étnica brasileira, constituída pelos europeus, indígenas e africanos. Essa mistura originou o que hoje são considerados fortes símbolos do país, com destaque para o samba, a capoeira e a feijoada, todos enraizados aqui pelos escravos trazidos da África. Em vista disso, o que se observa é a falta de informação que as pessoas possuem, pois mesmo com essa forte contribuição da cultura africana, os nomes pejorativos para se referir a ela fazem parte do vocabulário popular.

Desse modo, torna-se evidente que o Governo Federal, juntamente com emissoras de televisão locais, deve organizar a gravação e divulgação de uma série de vídeos informativos, visando a reflexão e desconstrução das pessoas, mostrando as disparidades sociais as quais os negros são submetidos e reforçando que a cor de uma pessoa não define a maneira como ela deve ser tratada. Acresce-se que é necessário que o Ministério da Cultura organize festivais e eventos que tragam mais visibilidade para a cultura africana, reforçando a sua beleza e importância para a identidade brasileira. Com isso, as pessoas teriam mais conhecimento sobre o assunto, evitando situações de discriminação.