A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 07/08/2020
A persistência do racismo na sociedade brasileira
Os problemas relacionados ao racismo não vieram de hoje, e muito menos de ontem. O racismo estava em fermentação desde a época da colonização, onde o branco europeu se via como uma raça superior em relação ao negro americano, tempos quais os indígenas sofreriam com as cruzadas religiosas organizadas pela Companhia de Jesus e tinham suas crenças forçadamente substituídas pelo catolicismo. As coisas pioraram com a escravidão dos negros, o que fazia com que uma diferença social e racial se ampliasse, estendendo-se até os tempos atuais. Hoje, 132 anos após a abolição da escravatura no Brasil por meio da Lei Áurea, ainda vemos resquícios do racismo profundamente enraizado na sociedade brasileira.
Em vista disso, pode se mencionar, por exemplo, um caso muito repercutido no cenário esportivo, especificamente do futebol. Em 2014, dia 28 de agosto, o goleiro “Aranha” do Santos sofreu insultos racistas e preconceituosos vindos da platéia do time adversário, qual se uniu em um coro para chamá-lo de “macaco”. Segundo o G1, após o jogo, o atleta deixou o campo indignado. “Não é à toa que está passando uma campanha no telão contra o racismo. A torcida pegar no pé é normal, mas começaram com palavras racistas. Fiquei nervoso, mas ainda estava me segurando quando começou aquele corinho de macaco. Fizeram rápido e pouco para não dar tempo de filmar”, conta Aranha. Esse, no entanto, é apenas um dos muitos casos de racismo que ocorrem, não só no Brasil, como mundo afora. Isso além da alta taxa de homicídios contra negros, que pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, atingiu uma porcentagem de 71% no Brasil.
Em fato, pode ser considerado um estrabismo a maneira a qual evoluiu-se um preconceito em relação a diferença das cores e do tom de pele, sendo esse um tema amplamente questionado não só pelos negros que sofreram com o preconceito racial, mas também pelos brancos que repudiam a existência do racismo na sociedade contemporânea. Eles, por mais que não sejam os alvos da malícia racial, ainda se juntam em uma frente forte para combatê-lo. De acordo com a filósofa Djamila Ribeiro, autora do livro “O que é lugar de fala?", mesmo que às vezes visto com olhos tortos, não existe nada de errado com os brancos falando sobre racismo, muito pelo contrário, ela considera importante que falem desde que julguem-se como indivíduos privilegiados que são nessa situação.
Sendo assim, levando em consideração todos esses pontos e relatos, é necessário primeiramente uma implantação nas escolas pelo Ministério da Educação, qual deve orientar os professores e alunos sobre o racismo, seja esse intencional ou não, e alastrar palestrar e aulas sobre as consequências do mesmo junto de sua relação com o desenvolvimento da humanidade. Além disso, a consciencização da igualdade entre “raças” deve ser promovida não só na educação, como no mercado de trabalho por seus órgãos responsáveis, incluindo a área política. No final, querendo ou não, todos são seres humanos e nenhuma mudança no tom de pele mudará isso.