A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 09/08/2020
No livro " O pequeno manual antirracista", a filósofa Djamila Ribeiro aborda o panorama da intolerância contra pretos, relacionando-à sua origem e a suas formas de combate. Da perspectiva literária para a atual realidade, a persistência do racismo, no âmbito nacional, apresenta-se como uma questão a ser discutida a partir de diferente vieses. De um lado, o preconceito, no Brasil, possui raízes históricas. Do outro, episódios recentes evidenciam que, mesmo com os avanços jurídicos, os discursos de ódio ,referidos a população afro brasileira ,continuam a fazer parte da realidade do país.
Primeiramente, cabe ressaltar que a intolerância contra pretos não é algo recente na conjuntura brasileira. Na esteira desse processo, é possível citar exemplos que vão desde a exclusão social dos negros após a abolição, até a relativização de direitos da parcela na era republicana- amplamente contestada em movimentos como a Revolta da Chibata. Nesse sentido, torna-se claro que o preconceito contra a população negra possui raízes históricas que vão além do período escravocrata.Dessa forma,percebe-se que, assim como abordado por Ribeiro em " O pequeno manual antirracista", a percepção de que o racismo está arraigado na sociedade é uma das formas mais importantes de combatê-lo.
Ademais,os recentes casos de discursos de ódio evidenciam que os avanços jurídicos não foram suficientes para a superação do preconceito no cenário contemporâneo.Nesse ínterim, apesar da Constituição Federal de 1988 apregoar medidas que desestimulam o racismo, episódios como o do jovem Mateus Pires, que sofreu discriminação durante uma entrega de “delivery”, continuam sendo recorrentes.Nessa lógica, prova-se que, de maneira similar ao que defendido pela jurista Flávia Piovesan, existe uma diferença seminal entre proclamar um direito e usufrui-lo efetivamente. Por conseguinte, faz-se necessário atuações mais incisivas do Estado frente a persistência da intolerância racial no Brasil.
Portanto, ações interventivas devem ser realizadas a fim de combater o preconceito no cenário nacional. Para tanto, urge a atuação do Estado,promovendo políticas que reforcem o caráter criminal do racismo, autuando não só quem cometeu o ato, mas, se for o caso, quem acobertou-o também. Somado a tal ato, faz-se necessário a ampliação do período de reclusão dos culpados. Além disso, é preciso que a Escola-enquanto instituição pilar para a formação de caráter- realize projetos e palestras, com a presença de historiadores,escritores e psicólogos, que conscientizem os alunos acerca das origens e dos impactos da discriminação racial na vida dos negros. Com isso feito, a superação da persistência do racismo,repetidamente tratada na obra de Djamila Ribeiro, será, de fato,alcançada.