A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 21/08/2020

Assinada em 1888, a Lei Aurea libertou aqueles que trabalhavam de forma desumana, porém, eles foram jogados à sociedade sem nenhum auxílio. Nesse sentido, o passado pode justificar a exclusão trabalhista e política dos negros na contemporaneidade visto que não houve nenhuma colaboração da elite para inserção desse povo desde os primórdios. Em suma, ainda são necessários movimentos para que o grupo seja tratado de maneira igualitária na atualidade.

A priori, o passado escravocrata se junta a música ‘’A Carne’’ de Elza Soares quando diz em seu refrão que a carne do melânico é a mais barata do mercado. Segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística os de pele escura recebem 75% a menos que os Brancos, cumprindo as mesmas funções na maior parte das vezes. Assim, é notório que os afrodescendentes continuam sendo marginalizados e a justificativa para isso mudou de uma visão religiosa para o argumento de que foi sempre assim.

A posteriori, a exclusão social é mais explicita quando se trata da ocupação em cargos políticos, pois se faz pensar que um país com grande parte da sua população sendo negra teria alta representatividade em seu meio, contudo não é o que ocorre no Brasil. Isso fica claro quando se olha para o número de presidentes e observa que houve apenas Nilo Peçanha como mulato no poder e que ao tentar aumentar esse número político e fortalecer a luta, o país perdeu violentamente Mariele Franco em 2018. Nesse sentido, o prestígio continuará pertencendo aos de pele clara enquanto a história for eurocêntrica.

Portanto, a educação se torna o ponto de partida para o combate a discriminação racial, afinal, Paulo Freire argumentava que o conhecimento muda as pessoas e elas o mundo. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação incluir na grade de ensino matrizes negras por meios literários e históricos a fim de provocar o conhecimento, uma vez que isso fortalecerá a representatividade necessária para que a luta racial não se esvaia e os impasses sejam superados. Dessa maneira o Brasil será de fato um país de todos, não só no slogan.