A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 28/08/2020

No romance “O mulato”,escrito pouco antes da abolição da escravatura no Brasil, Aluísio de Azevedo narra o preconceito racial vivenciado pelo protagonista Raimundo .De forma análoga,um século após a assinatura da Lei Áurea, o cotidiano dos afro-brasileiros,infelizmente, ainda é marcado pelo racismo. Isso ocorre ,em suma, devido ao mito da democracia racial e à escassa representatividade negra,sobretudo na política.

Nesse contexto, para combater essa forma de preconceito ,a priori, é preciso reconhecê-la em si e a sua volta . Contudo,a sociedade brasileira está presa a um discurso errôneo o qual embasa-se na tese do sociólogo Gilberto Freyre e afirma que a miscigenação foi um processo democrático , inviabilizando que haja discriminação racial no País. Nessa conjuntura , essa ideologia manifesta-se, por exemplo, na fala do presidente Jair Bolsonaro : “aqui no Brasil não existe isso de racismo não”. Desse modo , a população não reconhece a postura racista que adota no cotidiano , perpetuando a violência contra os negros ,seja ela simbólica ou não , sob o pretexto de que esse problema nem é sequer real.

Além disso , apesar de englobar a maior parte dos cidadãos brasileiros , a população negra é minoria no âmbito político . Nesse sentido , a obra “Why voice matters” ( Por que a voz importa?), de Nick Coldry , ressalta que a desigualdade de expressão entre grupos é uma das controversas da democracia moderna . Similarmente, no Brasil , denota-se essa contradição , uma vez que o poder de decisão não esteve ao alcance dos negros por séculos e , em tese, a Constituição Cidadã de 1988 daria a todos lugar de fala , mas , na prática , poucos líderes da causa antirracista alcançam altos cargos públicos . Assim , esse movimento não tem sido legitimado em forma de políticas públicas assertivas .

Portanto , depreende-se que , no instituto de combater o racismo no Brasil , é preciso desmitificar a democracia racial e elevar a representatividade negra na política . Para tanto , urge que o Ministério da Educação promova discussões sobre o tema , por meio de fóruns on-line somados a palestras e campanhas midiáticas as quais serão voltadas para como essa forma de preconceito se manisfesta no cotidiano, a fim de esclarecer que a igualdade racial não é uma realidade , mas uma meta a ser atingida pela sociedade civil . Em paralelo , o meio social e os partidos políticos devem dar suporte aos negros que ingressam no âmbito governamental , por intermédio de apoio durante suas campanhas e de coligações partidárias estratégicas , com o fito de efetivar leis e projetos com viés antirracista , pois , dessa forma , o narrado na obra de Azevedo ficará apenas na ficção .