A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 08/09/2020
Segundo o pensador e ativista Michel Foucault, tudo que existe foi criado historicamente por um regime de produção da verdade. Porém, para ele, as concepções instituídas em determinado período podem ser transformadas, uma vez que não existe verdade ou mentira, mas sim construções. Um exemplo disso é o racismo na sociedade brasileira que persiste até as dias atuais - embora ele se modifique, ainda não deixou de existir -, evidenciando a normalização do assunto. Dessa forma, cabe pontuar sobre a herança história deixada e, consequentemente, a cultura racista enraizada.
A priori, a elaboração histórica da estrutura social foi estabelecida com base na desigualdade, colocando algumas raças como superiores, e outras submissas. Mesmo com o fim da escravidão, os negros continuaram em desvantagens, já que não lhes foi dado suporte e oportunidade, tanto profissional quanto social. Então, foram obrigados a continuar vivendo em situação de miséria: sem emprego, salário, casa e boas condições. Somado a isso, o “darwinismo social”, proposto pela ciência, serviu como justificativa para a repressão contra os negros, alegando que estes, por terem o cérebro em um tamanho inferior, seriam menos aptos intelectualmente. Logo, a mudança dessas concepções, defendida por Foucault, deve acontecer de maneira a conscientizar a população e superar esse legado.
Consequentemente, a associação ideológica presente na sociedade representa a cultura e o preconceito racial gerados anos atrás. Cita-se como exemplo a relação pré-estabelecida de que apenas negros cometem crimes, usam substâncias ilícitas e vivem em periferias - tudo isso decorrente do fim da escravidão, em que os negros precisaram se submeter a essas condições. São comuns cenas em que um negro é espancado por policiais acusado de ter roubado, assim como o caso de George Floyd, e situações de perseguição. Também, o costume em usar palavras negativas vinculadas a cor da pele - expressões racistas, como “a coisa tá preta”, “mercado negro”, “lista negra”-, demonstram o produto da resistência do racismo.
Em suma, a persistência do racismo na sociedade brasileira precisa ser combatida, a fim de excluir essa problemática - além de oferecer o que lhes foi negado, devido a toda caminhada de força e coragem vivida por eles, como verdadeiros “heróis” da história. Por isso, é necessário que as escolas promovam aulas extras, por meio de vídeos em plataformas digitais, com depoimentos reais, sobre a igualdade entres raças e a história dos negros, visando enfrentar a base do racismo. Somado a isso, é importante que o governo, na condição de garantidor dos direitos educacionais, aumente o número de cotas nas universidades, para que ocorra a mudança proposta por Foucault e o racismo seja superado.