A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 14/09/2020
Na série “Olhos que Condenam”, quatro jovens negros são presos acusados gravemente, por pessoas brancas, de um crime que não cometeram. De maneira semelhante, inúmeras pessoas negras ainda sofrem as consequências do racismo enraizado na sociedade e são, constantemente, acusados de crimes que não realizaram. Dessa forma, é necessário que haja o debate acerca da persistência do racismo na sociedade brasileira e das dificuldades que o povo preto vem enfrentando ao longo da história como a exclusão e a própria discriminação.
A princípio, é importante fazer uma análise da representação da população negra na história brasileira. Nesse sentido, é evidente que o território brasileiro foi construído em cima da escravidão e do sofrimento do povo negro, o qual, mesmo após o fim da escravidão, continua sofrendo opressões e exclusões. Tal circunstância se dá pelo fato de que, por exemplo, no mercado de trabalho as pessoas pretas são as que ocupam os cargos de menor remuneração e, também, possuem baixa representatividade, apesar de constituírem cerca de 56% da população, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Dessa maneira, a inserção e representação dos negros em ambientes trabalhistas devem ser discutidas e aprimoradas pelas empresas e pelo poder público.
Além disso, é fato que a discriminação sofrida pelos negros ainda é muito presente em contextos sociais. Nessa perspectiva, podem-se citar diversos casos em que a voz dos brancos prevaleceu sobre a voz dos negros e estes passaram por situações desumanas e foram vítimas de preconceito racial. A título de exemplo, em 2020, o músico Luiz Justino fora preso por engano acusado de um roubo que não havia cometido, apenas com a palavra da pessoa que fora assaltada, a qual era branca. Tal fato pode ser explicado por meio das prioridades que a justiça brasileira possui - é um poder judiciário formado, majoritariamente, por brancos, para garantir os interesses e a segurança dos próprios brancos, os negros não têm licença nessa justiça. Desse modo, mudanças no poder judiciário e no modo como a justiça é feita no Brasil são vitais, no intuito de atender e priorizar todas as raças, classes e gêneros.
Em suma, medidas de integração e do fim da segregação racial são imprescindíveis no contexto brasileiro. É fundamental que empresas de todos os setores da economia possuam políticas de inserção do povo negro em todos os níveis de sua gestão. Ademais, é essencial que o governo, por intermédio de consulta à população, realize reformas no setor judiciário em todo o país e inclua mudanças no treinamento de policiais e agentes de segurança púbica, a fim de amenizar e até mesmo acabar com os índices de presos acusados erroneamente, o que, como foi dito, afeta primordialmente os negros. Com isso, situações como a dos jovens da série não serão mais comuns.