A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 14/09/2020
Em 2015, uma criança negra, de oito anos, foi expulsa da calçada de uma loja de grife, na cidade de São Paulo. Esse é apenas um dentre os inúmeros casos de racismo noticiados no Brasil, além dos que ocorrem de maneira velada -devido à normalização da discriminação racial no país. Com isso, é observada a persistência do racismo na sociedade brasileira, que apresenta uma raiz histórica e cultural.
A princípio, vale citar-se o pensamento do filósofo Michel Foucault que defende a ideia da historicidade das coisas, ou seja, tudo é construído historicamente e passa por um processo de produção da verdade. Essa percepção pode ser aplicada ao tratar-se sobre o racismo no território brasileiro, visto que foi um país com regime escravocrata durante mais de três séculos e foram deixados resquícios desse período na sociedade. Aliado a isso, após a abolição da escravatura, os negros libertos não tinham onde se refugiarem nas cidades, sendo obrigados a viver em morros -em precárias circunstâncias- e ocorrendo, ainda, a associação entre negros e crime. Dessa maneira, evidencia-se a raiz histórica do racismo em uma sociedade que ainda não superou os estereótipos raciais criados há tanto tempo.
Em consequência dos estigmas históricos, percebe-se que a cultura brasileira tornou-se racista e discriminatória. De acordo com pesquisa divulgada pelo IBGE -Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-, em 2019, a taxa de negros e pardos matriculados em universidades públicas atingiu, pela primeira vez, 50,3% (superando a taxa de brancos). Esses dados mostram que o racismo se encontra institucionalizado no país, dado que a maioria da população brasileira é negra e parda e, no entanto, só atingiu a maioria nas universidades recentemente. Além da discriminação educacional, essas pessoas são limitadas até mesmo nas artes, tendo ritmos de origem periférica ou de classes sociais mais baixas (em sua maioria, integradas por negros) sido perseguidos no passado -como o samba, no início do século XX, e o Funk, que pode ser criminalizado. Dessa forma, é constatada a cultura de exclusão vista amplamente no Brasil e que se dirige, principalmente, a negros e pardos.
Em suma, comprova-se a necessidade da realização de ações a fim de que haja a diminuição da incidência de atos racistas na nação. Para isso, o Governo, mediante o Ministério da Educação, deve investir em escolas públicas com ensino fundamental e médio, principalmente próximo a periferias e áreas rurais. Desse modo, o acesso ao ensino seria democratizado, já que essas regiões apresentam poucas instituições de ensino e, por isso, muitos não recebem a educação da qual têm direito. Também, é necessário que a sociedade se policie para que não cometa atos racistas e de discriminação.