A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 03/10/2020
O Brasil, com a criação da Lei Áurea, em 1888, foi o último país do ocidente a extinguir o regime de escravidão. No entanto, mesmo após a abolição, o preconceito racial ainda persiste profundamente enraizado na sociedade devido à herança histórica, levando à desigualdade.
Sob esse viés, o racismo é a imposição perante outrem com base em uma ideia de superioridade. Segundo Auguste Comte, sociólogo positivista, em sua teoria dos três estados, o terceiro estado, mais evoluído, seria o cientificismo, tendo como exemplo a cultura europeia. Com base nessa filosofia, os países europeus fizeram a partilha da África, pois esse era o “fardo” do homem branco, a saber: levar o “progresso” aos atrasados. Evidentemente, sabe-se que o real motivo foi exploração dos seus recursos. Nesse sentido, embora a bandeira nacional seja símbolo do patriotismo, também dialoga com o lema de “Ordem e Progresso” do positivismo, o que explica muito sobre a recorrente segregação racial brasileira.
Consequentemente, o preconceito racial herdado prejudica a população negra em todos os aspectos. Apesar de a Constituição Federal de 1988 ter determinado o racismo como crime inafiançável, o que foi, realmente, um grande avanço, observa-se, também, que o advento dessa lei ocorreu somente após 100 anos desde o término da escravidão. Isso demonstra a letargia no que tange à preocupação para com a dívida histórica que este país tem com o povo afro descendente. Assim, essa população vive em situação de desvantagem, visto que, não possui representatividade política e é minoria no meio acadêmico, por exemplo.
Sendo assim, é necessário combater o segregacionismo. Desse modo, para que haja o equilíbrio das forças, o Senado Federal, deve criar ações afirmativas, a começar mediante à aprovação da lei que determina o mínimo de 30% de negros para os cargos políticos. Assim, haverá maior representação dessa população e o país poderá realmente avançar rumo ao progresso, sabendo que está corrigindo os terríveis erros do passado.