A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 20/11/2020
Depois da morte de George Floyde, um afrodescendente assassinado por um policial, temas relacionados ao preconceito vieram a debate. Diante desse exposto, ao avaliar a atual situação do país, destaca-se que, apesar de ser uma nação miscigenada, tendo como maioria da população negros e pardos, a hostilização contra esses perpetua. Consoante a manutenção do racismo estrutural, seja por meio de da linguagem ou instituições, o Brasil corrobora com a persistência dessa discriminação.
Nesse contexto, nota-se que através da história a imagem do negro foi vulgarizada. Por exemplo, apesar da abolição da escravatura, no século XIX, termos usados naquela época para ofender os escravos ainda continuam na sociedade atual, como mulata, palavra que geralmente é associada a uma mulher que serve para suprir prazeres sexuais . Para o sociólogo Pierre Bourdieu, a utilização desses vocábulos constitui uma violência simbólica, ou seja, não é preciso agressão física para hostilizar alguém, a opressão pode vim do uso de símbolos que inferiorizam o outro.
Ademais, o racismo faz parte do “habitus” brasileiro. Segundo o estudioso supracitado, esse conceito é definido como o espaço socialmente compartilhado, em outros termos, são as crenças e costumes associados a certa sociedade. Destarte, considerando as raízes históricas do Brasil, que por quase 400 anos foi escravocrata, destaca-se que esse preconceito está entrelaçado com a estrutura do Estado. Exemplificando, ao analisar-se faculdades concorridas, como medicina, observa-se que poucos estudantes são negros, apesar da lei de cotas, esse cenário permanece.
Portanto é necessário que a mídia, o governo federal e a sociedade criem ações afirmativas que visem ao combate efetivo do preconceito racial, que se manifesta por meio institucional e vocabular. Assim, deve-se criar campanhas publicitárias que alertem sobre o real significado de termos pejorativos direcionados aos negros. Outrossim, tem que ampliar a lei de cotas e criar outras que estabeleçam vagas obrigatórias para essa minoria em cargos de chefia, a fim de extinguir essa discriminação.