A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 20/10/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988, todos os cidadãos são iguais perante a lei. Todavia, à medida que o racismo ocorre na sociedade brasileira, fica nítido que a norma legal outrora enfatizada está deturpada na prática. É lamentável, pois, em pleno século XXI —tido como evoluído—, a discriminação presente na individualidade de cada indivíduo possua parte ativa nesse processo de conflitos raciais em seus aspectos mais subjetivos, o que faz-se importante pontuar as causas para compreendê-la melhor.
Consoante a filosofia de Hipátia, é preciso compreender as circunstâncias que estão ao redor para perceber melhor o que há mais além. Logo, é fato que tal conceito não se enquadra na atualidade: ao observar o modo cuja a sociedade se permite ser moldada conforme os estereótipos errôneos construídos em outros momentos históricos, desse modo, a fomentar uma civilidade racista. Ademais, para o relativismo social, do escritor francês Jean de Léry, o ser humano é reflexo daquilo, o qual lhe foi concedido ao longo da formação cidadã. Em vista disso, o preconceito por raça ocorre em razão das bases arcaicas e da ausência de compreensão coletiva.
Além desse mecanismo de prepotência, outro fator que influencia no problema é a conivência da sociedade. Nesse sentido, a origem dessa causa advém, em muito, da parcialidade endêmica admitida como herança do período colonial, no qual práticas contra negros eram cotidianas e normativas, o que proporcionou uma cenário perfeito à propagação do racismo na mentalidade civil. No entanto, conforme Michel Foucault, filósofo francês, o homem é mais livre do que pensa para criar novas ideologias e criar novas concepções a datar de si próprio. Assim, é fundamental mostrar às pessoas novas visões de mundo para transpor as barreiras ao racismo na contemporaneidade.
Infere-se, portanto, que os impasses supracitados recorrentes na subjetividade da coletividade instituam desafios a superar. Para tanto, o Estado, por intermédio da verba pública, deve construir delegacias especializadas em crimes raciais, com intuito de atenuar o racismo, além de aumentar a pena criminal para quem o praticar. Tendo em vista o objetivo, cabe também ao Poder Executivo —órgão responsável por administrar as normas legais— a garantir a execução de tais regras, a fim de serem usufruídas em todo território nacional. Conjuntamente ao lado das entidades governamentais, ainda compete à escola, por meio do corpo docente, instruir os alunos sobre a importância do respeito as diferenças raciais para que, dessa maneira, o racismo —por conseguinte— erradique-se. Com essas simples ações, espera-se que todos os cidadãos. como a Constituição Federal de 1988 assegura, sejam tratados como iguais no Brasil.