A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 27/10/2020

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, na sua obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, ironiza seus fracassos, ratificando que a vida é mesmo uma miséria e não vale a pena perpetua-lá através dos filhos. Talvez, hoje, ele compreendesse acertado seus julgamentos, visto que a atitude de muitos brasileiros diante os dilemas raciais é uma das faces mais perversas de uma sociedade em progresso. Com isso, surge a problemática do racismo no corpo social e suas consequências desenvolvidas, que permanece intrinsecamente associado a realidade do país, seja pela desestruturação familiar na formação cidadã, seja pela desigualdade entre as raças, uma herança que perdura há séculos.

Em uma primeira constatação, é fato que há má estrutura da família favorece a realidade vivenciada pelo racismo, visto que o cidadão é instruído conforme é o seu convívio, com isso, diversos impasses originam-se na sociedade. A violência contra o negro, consequência do desalinho familiar é percentualmente maior quando relacionada aos brancos, a exemplo disso tem-se o “caso George Floyd” , ocorrido no início do ano de 2020, quando um policial branco estadunidense assassinou brutalmente asfixiado George Floyd, afro-americano que supostamente envolvia-se com crime. Diversas pessoas veêm a figura do homem negro associada ao crime, originando agressões físicas verbais e psicológicas. Dessa forma, é indiscutível negar a existência do racismo, especialmente na sociedade brasileira.

Sob essa perspectiva, vale ressaltar ainda, que a discriminação racial é gerada principalmente pelas desigualdades raciais. “Minha cor é cor de gente que vocês não queria ver no topo, e não adianta meritocracia”, esse trecho pertence a uma música da rapper Lourena, fazendo analogia a privatização acessos, o que é claramente vista no cenário brasileiro, os negros são limitados a oportunidades e exclusividades, sobretudo ao poder, ocasiões favoráveis é privilégio do indivíduo mais capacitado, no entanto, a população negra não tem acesso a preparações e treinamentos qualificados quanto aos brancos, sucedendo um grande desnível na população e estimulando superioridade de raças.

Logo, medidas estratégicas são fundamentais para modificar esse cenário. Para que isso ocorra, o governo, no papel do ministério da mulher, família e dos direitos humanos, em comunhão com o Poder Judiciário, devem desenvolver projetos para a inclusão de grupos minoritários, como criação de sistemas beneficentes, além de elaborar planos de reeducação familiar, abordando o racismo e a violência, e intensificar a fiscalização de violência racial para punição. Tais medidas necessitam ser efetivadas em todo o território brasileiro, a fim de diminuir os casos de racismo e nivelar a questão racial no Brasil. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país progressista socialmente e idealizar um legado em que Brás Cubas iria satisfazer-se.