A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 24/11/2020

A Lei Áurea de 1888, foi um documento assinado pela princesa Isabel que aboliu a escravidão no Brasil, porém não deu fim ao racismo, o qual com o tempo se transformou em uma estrutura cruel e velada na sociedade brasileira. Consequentemente, o século XXI se iniciou com o triste episódio do Bus 174, que expôs a realidade dos jovens negros marginalizados no Rio de Janeiro, esse documentário conta a história de um jovem das favelas da cidade que sequestrou um ônibus em 2000, nele mostra os eventos que podem ter impulsionado o jovem a cometer tal crime e um deles é o racismo. Visto isso, percebe-se como é colocado o negro no país e é válido analisar como o racismo estrutural brasileiro é responsável por tais atos de crueldade até os dias atuais contra os negros e afro-brasileiros.

Primeiramente, houve diversos eventos que sucederam o racismo enraizado como é observado atualmente no Brasil, na história com o tráfico transatlântico e a escravidão de 300 anos, após a abolição quando não havia oportunidades para os libertos, atualmente há a explícita violência policial, o negro retratado de forma insignificante na mídia e televisão brasileira e a segregação racial e social desses indivíduos. Em suma, o racismo é constatado, principalmente, na elite brasileira, a qual há uma separação bem definida de brancos como os ricos e negros como os empregados, isso é visto no filme “Histórias cruzadas” que apresenta a história de mulheres negras que deixam seus filhos para trabalhar cuidando da casa e dos filhos da elite branca.

Ademais, a persistência do racismo no país apresenta consequências não apenas para os indivíduos que lidam com isso todos os dias, mas também para a sociedade como um todo, pois esse grupo de pessoas é esquecido e marginalizado pelo Estado e poderá acarretar em mais racismo e problemas na estrutura da sociedade em longo prazo. Assim, histórias como a apresentada na obra literária “Quarto de despejo”, o diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus, iram se repetir e até se agravar com o tempo. Com isso, o governo está ferindo o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual afirma que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.

Portanto, a fim de melhorar o racismo estrutural no Brasil, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos - responsável pelo cumprimento dos direitos humanos e igualdade racial no país -, junto ao Ministério da Educação, por meio de sanções, incluir na grade curricular obrigatória de escolas e universidades, aulas apenas para estudar o racismo e a cultura afro-brasileira, com professores especializados nessa área. Outrossim, a imprensa e a televisão, mediante campanhas publicitárias, devem divulgar a importância da igualdade racial e as consequências do racismo no Brasil, além de mais inclusão da cultura afro-brasileira e negros como principais em novelas e filmes.