A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 01/11/2020

“Ninguém nasce odiando o outro pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar”, disse Nelson Mandela. Essa frase é uma lição contra o racismo e outras formas de preconceitos, dita pelo ex-presidente da África do Sul, o qual em seu governo, garantiu que os cidadãos desse país se tornassem iguais perante à lei. No entanto, no cenário brasileiro, apesar de a Carta Magna asseverar que todos possuem igualdade perante às normas, a discriminação racial persiste, pois, possui raízes históricas profundas e se mantem no cotidiano brasileiro por uma sociedade racista.

Primordialmente, é evidente que o racismo no Brasil nasceu na era colonial e escravocrata estabelecida pelos colonizadores portugueses. Nessa ótica, o processo histórico de formação do país no século XV foi, lamentavelmente, marcado pelo uso da violência e desigualdade social de distintos grupos. Afinal, o uso de mão de obra escrava não somente é uma prática perversa, mas, sobretudo, exige o vilipendio e hostilização da dignidade humana. Além disso, mesmo após a abolição da escravatura em 1888, a população negra foi integrada à sociedade de maneira marginalizada e o preconceito contra negros ainda se mantém no imaginário de parte dos brasileiros e diariamente se vê casos de racismo nessa nação.

Da mesma maneira, o corpo social consolida marginalização por meio de diversas formas. Segundo levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada 100 vítimas de homicídio no Brasil, 71 são negras. Esse abismo entre brancos e negros não é exclusivo do campo da violência, mas acontece em outros cenários da vida real. No mercado de trabalho, por exemplo, de acordo com o Instituto Ethos, embora 54% da população brasileira seja negra, eles ocupam apenas 5% dos cargos de liderança nas maiores empresas do país. Quando se fala em mulheres pretas e pardas em altos cargos de chefia, esse índice chega a menos de 1%, ainda consoante Ethos.

Fica evidente, portanto, a necessidade de mudança desse quadro. Para tanto, cabe ao Poder Judiciário, a elaboração de manuais de boas práticas, a fim de decodificar a complexa linguagem das leis (Estatuto da Igualdade Racial e outros) para a comunidade, por  meio de materiais didáticos e artísticos. Isso poderá ser realizado com a criação de um Programa Justiça Comunitária, mediante agentes comunitários desse órgão. Além disso, esses mesmos materiais devem ser disseminados nas escolas do ensino básico, para que desde cedo os alunos já conheçam a importância da igualdade racial, pois, como disse Mandela, o homem pode ser ensinado a amar.