A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 07/11/2020

O sentido original da palavra “negro” é depreciativo, contendo o significado de inimigo, ser desprovido de luz e fúnebre ,contudo , posteriormente, tal palavra sofreu uma ressignificação por parte das pessoas que eram chamadas de negras para um sentido de resistência à negatividade da palavra imposta. Entretanto, o racismo estrutural mostra-se presente na sociedade brasileira devido à negação das atitudes racistas da população e à falta de uma reestruturação de uma sociedade que foi fundada com alicerces na escravidão. Mostra-se, pois, que esse cenário deve ser revertido.

Nessa perspectiva, sabe-se que uma situação que não é debatida e nem reconhecida não é solucionada. Nesse viés, a negação das ações racistas dos brasileiros perpetua o problema, pois ele passa a ser visto como banal. Outrossim, as ações preconceituosas são mascaradas pela “simpatia” do brasileiro, revelando, assim, uma nação de “homens cordiais”, no ponto de vista de Sérgio Buarque, autor do livro “Raízes do Brasil”, que é afetuosa e receptiva, mas esconde em seu interior um racismo que é negado por ela mesma.

Ademais, é notória a participação da escravidão como constituinte do Brasil Colônia, o preconceito esteve presente desde o momento em que os escravos foram aculturados e tiveram uma nova língua, cultura e religião impostas. Nesse contexto, percebe-se uma sociedade desenvolvida sobre a escravidão, o preconceito e o desrespeito e, logo, um país carente de uma mudança estrutural que reavalie seus valores. Tangente ao exposto, a existência das cotas raciais para o ingresso no Ensino Superior evidencia uma tentativa de compensar os estragos do passado, no entanto, não são suficientes, pois um simples auxílio não é capaz  de apagar uma herança histórica de racismo.

Infere-se, portanto, que a perpetuação do racismo ocorre devido à negação e à ausência de uma reestruturação da sociedade brasileira. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação promover a quebra de paradigmas racistas desde a infância, por meio da criação de uma nova matéria escolar obrigatória que ensine o respeito, a igualdade e quebre as heranças históricas de preconceito. Além disso, fará parte dessa nova disciplina o compartilhamento do aprendizado com os familiares, com o fito de interromper a continuidade do racismo estrutural. Desse modo, a sociedade será reestruturada, começando pela base, e a população negra respeitada e valorizada.