A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 19/11/2020
Na série “Olhos que condenam”, produzida pela Netflix, relata-se um fato verídico ocorrido nos Estados Unidos, no qual, cinco jovens negros são condenados por um crime que não cometeram apenas por serem negros. Essa triste realidade é muito presente no Brasil, que convive com o racismo estrutural, que é quando uma sociedade é estruturada com base em uma discriminação que privilegia alguns grupos em detrimento de outros. Nesse caso, pode-se identificar a persistência do racismo no Brasil como um processo histórico e cultural, e uma população que não reconhece seus privilégios.
Primeiramente, é importante destacar que a abolição da escravatura pela Lei Áurea, de 1888, apenas serviu para excluir socialmente ainda mais os negros, pois eles ficaram privados de frequentarem determinados locais públicos exclusivos de brancos, além de não terem direito a emprego e educação. Consequentemente, criou-se uma população negra miserável e marginalizada, que não tinha como melhorar sua condição de vida devido a segregação racial e falta de oportunidades. Para se ter ideia, em 1850, o governo federal criou a Lei de Terras, em que a União vendia terras apenas para aqueles com elevada condição econômica, ou seja, brancos da elite. Desse modo, a concentração de terras e riquezas ficaram nas mão dos brancos, enquanto os negros minguavam na pobreza.
Assim sendo, enquanto a população branca desfrutou de todos os benefícios e se consolidou no topo da pirâmide social brasileira, os negros, com raras exceções, se alicerçaram nas camadas mais pobres. Como efeito de comparação, segundo dados da UOL, de 2019, 54% da população é negra, mas 96% dos parlamentares são brancos, provando uma herança histórica em que negros foram reprimidos. Além disso, ao observar cargos de elevada posição social, como médicos, promotores, juízes, entre outros, quase sempre são ocupados por brancos. Por isso, os brancos são culturalmente privilegiados, pois sempre tiveram oportunidades e não sofreram segregação social, podendo estudarem para conseguirem um emprego que promovesse sua ascensão social.
Infere-se, portanto, que o racismo no Brasil está enraizado na sociedade e com o tempo foi naturalizado, fato que deve ser revertido. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação instaure nas escolas palestras com antropólogos, na qual estes poderão debater e ensinar os jovens sobre o privilégio branco, no intuito de conscientizá-los a reconhecer sua posição e entender a luta negra por mais respeito e oportunidades. Além disso, é imprescindível que as universidades públicas respeitem a Lei de Cotas, de 2012, que garante uma parte das vagas para a população negra, com a intenção de criar oportunidades de estudo como forma de conseguir um emprego mais qualificado no futuro. Destarte, será possível caminhar para um país mais igualitário que dê suporte as minorias.