A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 14/01/2021
No ano de 2020, o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos promoveu protestos e debates sobre a violência policial e sobre a persistência do racismo no mundo. Nesse sentido, o Brasil, apesar da miscigenação cultural e étnica em sua gênese, apresenta grave preconceito contra afrodescendentes, o que representa um severo entrave para que a sociedade brasileira seja democrática. Assim, seja causada pela herança histórica de exclusão, seja pela mentalidade retrógrada de parte da população, a segregação deve ser abolida.
Nessa perspectiva, o componente histórico de cerceamento social da população negra contribui para que a exclusão permaneça na atualidade. Nesse viés, o descaso estatal no que tange à inclusão dos ex-escravos no período da abolição da escravidão favoreceu sua segregação social, que se mantém até a contemporaneidade. Ocorre que a gestão governamental, desde a Lei Áurea, não buscou efetivamente a incorporação dos pretos na nação, o que representa uma incoerência no Estado Democrático de Direito, o qual deveria ter a igualdade dos indivíduos como princípio fundamental.
Ademais, a ideologia - compravadamente equivocada - da superioridade branca ainda permeia a mentalidade de significativa parcela da sociedade, o que permite a perpetuação do racismo no Brasil. Nesse seguimento, no século XIX, teorias buscaram justificar a supremacia do europeu sobre a população africana, tais quais o determinismo e o positivismo, que são vistos, na atualidade, como incorretos e retrógrados. No entanto, parte do corpo social ainda acredita, seja por ignorância ou fatores históricos, que é superior aos negros e outras etnias, o que é evidenciado pelos constantes casos de racismo noiticiados nos jornais. Tal segregação é errônea e deve ser eliminada, de modo a proporcionar a todos uma nação livre, justa e fraterna.
Portanto, para solucionar a problemática do racismo exposta, urge que as escolas busquem eliminar pensamentos racistas da sociedade, mostrando a incoerência desses e que todos os seres humanos são iguais, a fim de promover a integração de todos à sociedade. Isso poderá ser feito por meio de oficinas e palestras que descontruam o mito da inferioridade do negro e mostrem sua intensa participação na construção da identidade nacional, num projeto denominado ‘‘É Apenas Melanina’’. Desse modo, poder-se-á mitigar o preconceito contra afrodescendentes, de modo que a igualdade objetivada pela Carta Magna deixe de ser uma utopia no Brasil.