A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 22/11/2020

Em 20 de outubro é comemorado o Dia da Consciência Negra no Brasil. Essa foi a data do assassinato de Zumbi em 1695, líder do Quilombo dos Palmares e importante símbolo de resistência contra a escravidão de seu tempo. Tal feriado celebrado no país apresenta sua relevância ao levar para o cotidiano debates e maior visibilidade acerca do respeito e da preservação de todas as vidas. Todavia, apesar de melhorias significativas conquistadas ao longo dos anos, o racismo ainda existe na sociedade brasileira e é um enorme impasse para o estabelecimento da paz e da felicidade das minorias. Essa problemática persiste por raízes históricas e ideológicas.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o fim do trabalho escravo em 1888 não levou a mudanças imediatas, visto que os negros passaram a viver à mercê da sorte, pois não houve planejamento para sua inserção na sociedade nesse primeiro momento. Ainda na atualidade, as diferentes etnias que compõem a nação vivem realidades contrastantes. Por exemplo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda que sejam mais da metade da população brasileira, os afrodescendentes têm uma taxa de analfabetismo cerca de duas vezes maior que a dos brancos, além de representarem 75% entre os mais pobres.

Outro fator a ser estudado é o mito da superioridade racial. Essa é uma ideia que sempre existiu e que considera o grupo branco como o mais civilizado e o salvador dos demais. Nesse contexto, o filósofo Immanuel Kant disse que “a humanidade alcança sua maior perfeição na raça dos brancos”, julgando-a como a melhor e a insuperável. Dessa forma, tal ideologia, por ser uma forma de pensar do grupo dominante, resistiu ao tempo e continuou presente na humanidade, o que faz com que os indivíduos sejam muitas vezes julgados pela cor de pele e, por isso, tenham menores chances de serem contratados em entrevistas de emprego ou estejam mais propícios a serem confundidos com criminosos em situações policiais.

Percebe-se, portanto, que as raízes históricas e ideológicas dificultam o combate ao racismo no Brasil. Outrossim, medidas são necessárias para mudar essa realidade. É papel da mídia, como principal influenciadora de massas, incentivar a população a respeitar e aceitar os negros, o que pode ser efetuado por meio do aumento da representatividade destes em filmes e propagandas. Isso deve ser feito para que haja o fim do preconceito racial no país, já que as pessoas terão outras perspectivas acerca de das diversas etnias. Com isso, ocorrerá a ampliação dos direitos sociais e maior harmonia no convívio. Assim, será formada uma sociedade mais justa e igualitária.